Proteja suas contas, reconheça golpes e use o celular com segurança: 5 módulos de leitura com atividades práticas, mais a avaliação final
Seu progresso0 de 5 módulos
Carregando seu progresso…
Módulo 1 de 5
Por que se proteger na internet
Hoje fazemos quase tudo pelo celular: conversamos, pagamos contas, recebemos benefícios, compramos. Isso trouxe muita praticidade, mas também atraiu golpistas. Neste módulo você vai entender o que eles procuram e como costumam agir.
Seus dados valem dinheiro
Nome completo, CPF, data de nascimento, endereço, telefone, fotos e senhas são dados pessoais. Com eles, um golpista pode abrir contas e fazer empréstimos em seu nome, se passar por você para enganar amigos e familiares ou acessar suas contas bancárias. Por isso, proteger os seus dados é proteger o seu dinheiro e a sua reputação.
Engenharia social: o golpe é na pessoa, não no aparelho
A maioria dos golpes não depende de "invadir" o celular. O golpista convence a própria vítima a entregar a senha, o código ou o dinheiro. Isso se chama engenharia social, e quase sempre usa um destes gatilhos:
Gatilho
Exemplo
Urgência
"Sua conta será bloqueada em 30 minutos!"
Medo
"Identificamos uma compra de R$ 3.000 no seu cartão."
Autoridade
Alguém se apresenta como funcionário do banco, da polícia, do INSS ou da Receita.
Ganância ou oportunidade
"Você ganhou um prêmio", "renda extra fácil", "dinheiro esquecido para resgatar".
Afeto
Um "filho" com número novo pedindo ajuda urgente.
A regra de ouro: quando alguém pressiona para você agir rápido, pare. Desligue, respire e confirme a informação por outro caminho, sempre pelo canal oficial.
Pense antes de compartilhar
Evite publicar fotos de documentos, boletos, cartões, crachás e comprovantes.
Cuidado com posts que mostram onde você mora, a escola dos filhos ou quando a casa estará vazia.
Desconfie de "testes" e brincadeiras nas redes que pedem nome da mãe, primeiro animal de estimação ou rua em que cresceu: são respostas comuns de perguntas de segurança.
Leia as permissões que os aplicativos pedem. Uma lanterna não precisa acessar seus contatos.
Seus direitos
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei nº 13.709/2018) garante que você pode saber quais dados uma empresa tem sobre você, pedir correção e, em muitos casos, a exclusão. E crimes na internet são crimes como quaisquer outros: a Lei nº 12.737/2012 tornou crime invadir dispositivos, e a Lei nº 14.155/2021 aumentou as penas para furtos e fraudes cometidos por meios eletrônicos.
Para refletir
Você ou alguém que você conhece já recebeu uma mensagem ou ligação suspeita? Qual gatilho o golpista tentou usar: urgência, medo, autoridade, oportunidade ou afeto?
Atividade prática
Revise as suas redes sociais: apague ou deixe privadas publicações que mostram documentos, endereço ou rotina da família. Depois, abra as configurações do celular e veja quais aplicativos têm acesso a contatos, localização, câmera e microfone. Retire as permissões que não fazem sentido.
Módulo 2 de 5
Senhas fortes e contas protegidas
Uma senha fraca ou repetida é como deixar a chave da casa debaixo do tapete. Neste módulo você vai aprender a criar senhas seguras, ativar a verificação em duas etapas e manter os aparelhos protegidos.
O que torna uma senha fraca
Sequências como 123456, abcdef ou 111111.
Datas de nascimento, nomes de filhos, times ou animais de estimação.
A mesma senha em vários sites: se um deles vazar, todos ficam expostos.
Como criar uma senha forte
Uma boa estratégia é usar uma frase-senha: várias palavras que só fazem sentido para você, com números e símbolos. Por exemplo, a ideia "minha vó faz bolo de milho no domingo" pode virar MinhaVoFazBolo#Domingo27. Ela é longa, fácil de lembrar e difícil de adivinhar. (Não use esse exemplo, crie a sua.)
Quanto mais longa, melhor: prefira 12 caracteres ou mais.
Use uma senha diferente para cada serviço importante: e-mail, banco, gov.br, redes sociais.
Um gerenciador de senhas (inclusive os que já vêm no celular ou no navegador) guarda todas as senhas de forma protegida, e você só precisa lembrar de uma.
Nunca anote senhas em papel preso ao computador nem em mensagens para você mesmo.
Verificação em duas etapas
A verificação em duas etapas pede, além da senha, uma segunda confirmação: um código enviado por SMS, gerado por um aplicativo autenticador ou uma confirmação no próprio celular. Assim, mesmo que alguém descubra a sua senha, não consegue entrar.
Ative a verificação em duas etapas, no mínimo, no e-mail, no WhatsApp, nas redes sociais e na conta gov.br. O e-mail merece atenção especial: quem controla o seu e-mail consegue trocar a senha de quase todas as outras contas.
Alguns serviços já oferecem as chaves de acesso (passkeys), que substituem a senha pelo desbloqueio do próprio celular, com digital, rosto ou PIN. Quando disponível, é uma opção ainda mais segura.
Códigos são segredo
Nenhuma empresa séria pede, por mensagem ou ligação, o código que chegou por SMS ou e-mail. Se alguém pedir um código, é golpe. Esse código é o que permite a alguém entrar na sua conta.
Aparelhos atualizados
Instale as atualizações do sistema e dos aplicativos: elas corrigem falhas de segurança.
Baixe aplicativos só das lojas oficiais (Google Play e App Store) e desconfie de apps enviados por link.
Não instale programas de "acesso remoto" a pedido de quem liga dizendo ser do banco ou do suporte técnico.
No computador, mantenha o antivírus ativo e desconfie de anexos inesperados.
Para refletir
Quantos serviços diferentes usam a mesma senha que você usa no seu e-mail? O que aconteceria se essa senha fosse descoberta?
Atividade prática
Troque a senha do seu e-mail principal por uma frase-senha forte e ative a verificação em duas etapas nele, no WhatsApp e na conta gov.br. Faça uma lista (sem as senhas!) de outros serviços em que você repete a mesma senha e troque uma por semana.
Módulo 3 de 5
Celular e WhatsApp seguros
O celular guarda conversas, fotos, aplicativos de banco e documentos. Neste módulo você vai configurar o aparelho e o WhatsApp com mais segurança e saber o que fazer se o celular for roubado.
Configure o bloqueio de tela
Use bloqueio por PIN de 6 dígitos, senha, digital ou reconhecimento facial. Evite padrões de desenho simples e datas óbvias.
Configure o bloqueio automático em poucos segundos ou minutos.
Esconda o conteúdo das notificações na tela bloqueada: códigos de banco e mensagens não devem aparecer para quem pega o aparelho.
Coloque senha no chip (PIN do SIM), para que ele não possa ser usado em outro aparelho.
Ative a localização e o bloqueio remoto do aparelho (as funções "Encontre meu dispositivo" do Android e "Buscar" do iPhone).
Nos aplicativos de banco, ative as proteções extras e defina limites menores para Pix, principalmente à noite.
WhatsApp clonado: como acontece
No golpe mais comum, o golpista pede o código de seis dígitos que o WhatsApp manda por SMS, com uma desculpa qualquer: confirmar um cadastro, uma entrega, uma pesquisa, um sorteio. Com o código, ele instala o seu WhatsApp em outro aparelho e passa a pedir dinheiro aos seus contatos. Nunca informe esse código a ninguém.
Para se proteger, ative a confirmação em duas etapas do WhatsApp (em Configurações → Conta), que cria um PIN que só você sabe.
Privacidade no WhatsApp
Mostre a foto de perfil e o "visto por último" apenas para seus contatos.
Defina que só seus contatos podem adicionar você a grupos.
Silencie e bloqueie números desconhecidos que insistem em mensagens suspeitas, e use a opção de denunciar.
Se o celular for roubado ou furtado
Use o aplicativo ou o site Celular Seguro, do governo federal (celularseguro.mj.gov.br), com login gov.br. Ele permite emitir um alerta que bloqueia o aparelho, a linha e o acesso aos aplicativos de bancos parceiros. Você também pode cadastrar pessoas de confiança, que podem emitir o alerta por você.
Ligue para o banco para bloquear contas e cartões, se ainda não foram bloqueados.
Peça à operadora o bloqueio do chip e do aparelho (pelo número IMEI).
Registre um boletim de ocorrência, que em muitos estados pode ser feito pela internet.
Pelo computador, troque as senhas do e-mail e das redes sociais e desconecte as sessões abertas.
Avise familiares e amigos que alguém pode tentar pedir dinheiro em seu nome.
Dica: faça o cadastro no Celular Seguro antes de precisar, e anote o número IMEI do aparelho (digite *#06# no teclado do telefone para ver).
Wi-Fi público e carregadores
Redes Wi-Fi abertas, de praças, rodoviárias e shoppings, podem ser monitoradas. Evite acessar bancos e fazer compras nelas; prefira os dados móveis. Também evite deixar o celular desbloqueado com desconhecidos, mesmo que seja "só para fazer uma ligação".
Para refletir
Se o seu celular fosse roubado agora, o que a pessoa conseguiria acessar sem saber nenhuma senha? E você saberia o que fazer nos primeiros 30 minutos?
Atividade prática
Ative a confirmação em duas etapas no seu WhatsApp, ajuste a privacidade de foto, visto por último e grupos, descubra o IMEI do seu celular e faça o cadastro no Celular Seguro, incluindo uma pessoa de confiança.
Módulo 4 de 5
Como reconhecer golpes e o que fazer se cair em um
Os golpes mudam de roupa, mas seguem os mesmos padrões. Neste módulo você vai conhecer os golpes mais comuns, incluindo os que usam inteligência artificial, e saber exatamente o que fazer se for vítima.
Os golpes mais comuns
Golpe
Como funciona
Sinal de alerta
Link falso (phishing)
SMS, e-mail ou mensagem com link para "regularizar", "desbloquear" ou "resgatar". O site imita o original e rouba seus dados.
Urgência, erros de português, endereço estranho.
Falsa central do banco
Alguém liga dizendo ser do banco e pede senha, código, transferência ou instalação de aplicativo.
Banco não pede senha, código nem transferência para "proteger" o dinheiro.
Falso motoboy
Depois da falsa ligação, um "funcionário" vai buscar o cartão na sua casa.
Banco nunca busca cartão em casa.
Falso parente
"Oi, mãe, troquei de número." Em seguida, pede um Pix urgente.
Número novo pedindo dinheiro.
Voz ou vídeo falsos (deepfake)
Com inteligência artificial, golpistas imitam a voz ou o rosto de conhecidos ou famosos para pedir dinheiro ou divulgar "investimentos".
Pedido de dinheiro fora do comum, pressa, famoso prometendo lucro fácil.
Loja ou anúncio falso
Site ou perfil com preços muito baixos que só aceita Pix e nunca entrega.
Preço bom demais, loja sem CNPJ e sem avaliações, só Pix.
Boleto falso
Boleto com os dados do recebedor trocados.
Nome do beneficiário diferente da empresa.
Falso empréstimo ou emprego
Pedem uma "taxa" antecipada para liberar o empréstimo ou a vaga.
Qualquer cobrança antes de receber.
Investimento milagroso
Promessa de lucro alto e garantido, muitas vezes com "robôs" ou indicação de amigos.
Ganho garantido e fácil não existe.
Como se defender de voz e vídeo falsos
Combine com a família uma palavra-chave para confirmar pedidos de dinheiro.
Desligue e ligue você mesmo para o número que já conhecia da pessoa.
Faça uma pergunta que só a pessoa verdadeira saberia responder.
Desconfie de vídeos de famosos ou autoridades oferecendo investimentos, remédios ou benefícios.
Antes de clicar ou pagar, confira
Quem está pedindo? Consigo confirmar por outro canal?
Estão me apressando?
O link leva ao site oficial? (Na dúvida, digite o endereço você mesmo ou use o aplicativo oficial.)
O nome de quem vai receber o Pix ou o boleto é o esperado?
A oferta é boa demais para ser verdade?
Caí em um golpe. E agora?
Avise o banco imediatamente, pelos canais oficiais. No Pix, o Mecanismo Especial de Devolução (MED) permite ao banco tentar bloquear e recuperar o dinheiro em casos de fraude. Quanto antes, maior a chance.
Registre um boletim de ocorrência, que pode ser feito pela internet em muitos estados. Guarde prints, números, links e comprovantes.
Troque as senhas das contas envolvidas e ative a verificação em duas etapas.
Se os seus documentos foram expostos, consulte o Registrato, do Banco Central, para ver se abriram contas ou empréstimos em seu nome, e fique atento a cobranças estranhas.
Avise seus contatos, se o golpista usou o seu nome ou o seu WhatsApp.
Cair em um golpe não é motivo de vergonha: os golpistas são profissionais e enganam pessoas de todas as idades e escolaridades. Contar o que aconteceu ajuda a proteger outras pessoas.
Para refletir
Qual dos golpes da tabela você acha que mais atinge as pessoas da sua família? Por quê?
Atividade prática
Reúna a família (ou mande no grupo) e combinem uma palavra-chave para confirmar pedidos de dinheiro por mensagem ou ligação. Depois, salve em um lugar fácil os números oficiais do seu banco e o endereço do boletim de ocorrência on-line do seu estado.
Módulo 5 de 5
Família, crianças e convivência on-line
Segurança na internet também é cuidar das pessoas e da informação que circula. Neste módulo você vai aprender a identificar notícias falsas, proteger crianças e adolescentes e ajudar familiares com menos experiência digital.
Notícias falsas
Notícias falsas (as fake news) se espalham rápido porque mexem com emoções: medo, raiva, indignação. Antes de compartilhar, verifique:
Qual é a fonte? O conteúdo aparece em veículos de imprensa conhecidos ou em sites oficiais?
Qual é a data? Muitas notícias antigas voltam a circular como se fossem novas.
O título bate com o texto? Títulos exagerados costumam esconder informações diferentes.
A imagem é verdadeira? Fotos podem ser tiradas de contexto ou criadas por inteligência artificial.
Consulte agências de checagem de fatos antes de repassar.
Na dúvida, não compartilhe.
Crianças e adolescentes
Desde março de 2026 está em vigor o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital, Lei nº 15.211/2025). Ele obriga as plataformas a adotar mecanismos de verificação de idade, oferecer ferramentas de controle parental, vincular as contas de crianças e adolescentes de até 16 anos a um responsável e proíbe as "caixas de recompensa" (loot boxes) em jogos para esse público.
As leis ajudam, mas o acompanhamento da família continua essencial:
Use os controles parentais do celular, dos aplicativos e dos videogames.
Combine horários e lugares para o uso de telas, como não usar na hora das refeições e no quarto à noite.
Converse sobre não aceitar amizade de desconhecidos e não enviar fotos, localização ou dados pessoais.
Ensine que, se algo na internet causar medo, vergonha ou desconforto, a criança deve contar a um adulto de confiança, sem medo de ser punida.
Fique atento a mudanças de comportamento, como isolamento, tristeza e irritação ao usar o celular, que podem indicar cyberbullying ou aliciamento.
Cuidado com a exposição dos filhos
Postar fotos dos filhos é natural, mas vale pensar antes: a imagem mostra o uniforme da escola ou a localização? A criança vai gostar de ver essa foto quando crescer? Prefira perfis privados e compartilhe com grupos de confiança.
Cyberbullying e crimes on-line
Humilhações, ameaças e exposição de imagens íntimas pela internet causam danos reais. Se acontecer com você ou com alguém próximo: não apague as provas (faça prints com data e endereço da página), denuncie na própria plataforma, procure a escola quando envolver estudantes e registre boletim de ocorrência. Canais como o Disque 100 recebem denúncias de violações de direitos humanos, inclusive contra crianças e adolescentes.
Ajudando quem tem menos experiência
Pessoas idosas e quem começou a usar o celular há pouco tempo são alvos frequentes dos golpistas. Ajude com paciência, sem fazer tudo por elas: configure juntos a verificação em duas etapas, os limites do Pix e a palavra-chave da família, e repita a regra de ouro: na dúvida, desligue e confirme.
Seu plano de segurança digital
Senhas fortes e diferentes, com gerenciador.
Verificação em duas etapas no e-mail, WhatsApp, redes sociais e gov.br.
Celular com bloqueio de tela, atualizações em dia e cadastro no Celular Seguro.
Limites de Pix ajustados e números oficiais do banco salvos.
Palavra-chave combinada com a família.
Desconfiança de urgência, links e ofertas boas demais.
Diálogo aberto com crianças, adolescentes e idosos da família.
Para refletir
Qual foi a última informação que você recebeu em um grupo e repassou sem verificar? O que você faria diferente hoje?
Atividade prática
Escreva o "plano de segurança digital" da sua família em uma folha, com as combinações sobre telas, a palavra-chave, os números oficiais dos bancos e o que fazer em caso de golpe ou roubo do celular. Converse sobre ele com as pessoas da casa.
Para saber mais
Celular Seguro: celularseguro.mj.gov.br.
Banco Central do Brasil: Registrato e orientações sobre golpes com Pix.
ECA Digital (Lei nº 15.211/2025) e Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018).
Curso livre "Educação Financeira Pessoal", aqui no Cursos Conecta.
Avaliação final
Avaliação final
São 10 questões sobre os 5 módulos. Para ser aprovado(a) e poder emitir o certificado, você precisa acertar pelo menos 7. Você pode refazer a prova quantas vezes quiser.