Portaria, livro de ocorrências, visitantes, câmeras, emergências e atendimento: 5 módulos de leitura com atividades práticas, mais a avaliação final
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Módulo 1 de 5
O porteiro: função, limites e o que diz a lei
O porteiro é a primeira pessoa que qualquer um encontra ao chegar. É quem decide quem entra, quem registra o que acontece e quem age nos primeiros minutos de uma emergência. É uma função de confiança — e tem um limite legal que precisa ficar claro desde a primeira página.
Leia antes de continuar
Este curso forma para a função de porteiro e controlador de acesso. Ele não forma vigilante e não substitui o curso de formação de vigilante.
Vigilante é profissão regulamentada: exige curso de formação com carga horária mínima de 200 horas em escola autorizada, idade mínima de 21 anos, aptidão física, mental e psicológica comprovada, ausência de antecedentes criminais e vínculo com empresa autorizada ou condomínio registrado. Nada disso se obtém com curso livre.
Porteiro é outra coisa — e é justamente isso que este curso ensina.
A linha que a lei traça
O Estatuto da Segurança Privada (Lei nº 14.967/2024) resolveu uma confusão antiga. Ele diz, de forma expressa, que os serviços típicos de portaria — o controle de acesso de pessoas e de veículos nas entradas de estabelecimentos e de condomínios — não são serviços de segurança privada, desde que executados sem utilização de arma de fogo.
Na prática, isso significa:
Porteiro / controlador de acesso
Vigilante
Controla entrada e saída de moradores, visitantes, prestadores e veículos.
Executa serviço de segurança privada: observa, inspeciona e fiscaliza as dependências.
Nunca usa arma de fogo.
Pode portar arma, nas condições previstas em lei.
Não exige curso de formação regulamentado.
Exige curso de formação de 200 horas e reciclagem periódica.
Sem idade mínima especial.
Mínimo de 21 anos.
Contratado como empregado comum.
Contratado por empresa autorizada ou condomínio com registro na Polícia Federal.
A fronteira se cruza quando a função deixa de ser controlar quem entra e passa a ser vigiar, inspecionar e fiscalizar o patrimônio. Aí já não é portaria: é vigilância, e exige vigilante habilitado. Condomínio que monta segurança própria precisa de autorização federal, e a irregularidade gera multa.
Por que isso importa para você. Se um empregador pedir que você faça ronda armada, aborde suspeito, reviste pessoa ou "dê uma olhada no perímetro" à noite, ele está pedindo algo que não é da sua função e para o qual você não está habilitado — e o risco, se algo acontecer, recai sobre você. Saber dizer isso com clareza é parte do profissionalismo.
Onde o porteiro trabalha
Condomínio residencial — o maior empregador da área.
Prédio comercial e escritório.
Escola, faculdade, creche.
Hospital, clínica, laboratório.
Indústria, galpão, centro de distribuição.
Órgão público, hotel, clube, igreja.
O trabalho muda de lugar para lugar, mas a espinha é a mesma: controlar o acesso, registrar o que acontece, atender bem e agir certo na emergência.
O que a função exige de verdade
Atenção constante. A maior parte do turno é rotina, e é exatamente por isso que o descuido aparece.
Firmeza sem grosseria. Dizer "não" faz parte do serviço, e dá para dizer sem criar inimigo.
Discrição. O porteiro vê quem chega, com quem, a que horas. Nada disso se comenta.
Registro. O que não está escrito, não aconteceu.
Sangue-frio. Nos primeiros minutos de uma emergência, quem está na portaria é quem decide.
Sigilo: a regra que mais pesa
Quem mora, quem visita, quem dorme fora, quem brigou, quem está em dificuldade financeira, quem recebeu oficial de justiça — o porteiro sabe. E não conta.
Não comenta com outro morador, com colega de turno fora do necessário, nem com a família em casa.
Não informa a terceiros se um morador está ou não em casa, nem sua rotina de horários. Essa informação é a mais usada em golpes e em crimes.
Não divulga imagem de câmera, nem mostra a tela para quem não é autorizado.
Não posta nada do trabalho em rede social — nem foto do hall, nem reclamação sobre morador.
Este é um curso livre de qualificação profissional. Ele prepara para a função de portaria e controle de acesso e não habilita ao exercício de atividades de segurança privada.
Para refletir
Um morador pede: "se perguntarem por mim, diz que não estou". Outro pede: "me avisa quando a minha ex-esposa chegar". As duas coisas parecem pequenas e são muito diferentes. Qual delas você faria, e por quê?
Atividade prática
Escreva, com suas palavras, cinco tarefas que são da portaria e cinco que seriam de vigilante. Guarde essa lista: ela é a sua defesa quando alguém pedir o que não pode.
Módulo 2 de 5
A rotina do turno e os registros
Portaria boa é portaria previsível. Este módulo trata do que se faz do começo ao fim do turno — e do documento mais importante da função, que é o livro de ocorrências.
A passagem de serviço
É o momento mais delicado do dia. Turno que começa sem informação começa cego. Uma passagem completa cobre:
Ocorrências do turno anterior e o que ficou pendente.
Encomendas e correspondências guardadas, e para quem são.
Chaves retiradas e não devolvidas.
Prestadores que ainda estão dentro do prédio.
Equipamentos com defeito: portão, interfone, câmera, elevador, luz queimada.
Avisos da administração ou do síndico.
Moradores em situação especial: mudança marcada, obra em andamento, alguém doente, visita esperada.
Faça a passagem pessoalmente e com o livro na mão, nunca por bilhete solto ou mensagem. E chegue com alguns minutos de antecedência: passagem feita com o colega já saindo é passagem pela metade.
O livro de ocorrências
É o documento que protege o condomínio, o morador e principalmente você. Regras de ouro:
Registre no momento, não no fim do turno de memória.
Data, hora, o que aconteceu, quem estava envolvido, o que foi feito e quem foi avisado.
Fatos, não opinião. "O morador do 402 gritou comigo e disse que ia me demitir" é fato. "O morador do 402 é mal-educado" é opinião e não serve.
Sem rasura. Errou, risque uma vez, escreva ao lado e assine.
Letra legível e assinatura em cada turno.
Nunca arranque folha nem deixe espaço em branco entre registros.
Registro fraco
Registro que serve
"Teve confusão no salão."
"23h10 — barulho alto no salão de festas, unidade 302. Subi pelo interfone e pedi para reduzir. Às 23h40 o barulho continuava; comuniquei o síndico por WhatsApp, que orientou registrar. Silêncio a partir das 0h15."
"Entregou uma encomenda."
"14h22 — entrega Correios para a unidade 105, envelope. Recebido por mim, guardado no armário 3. Morador avisado pelo interfone às 14h25, não atendeu; deixado recado no grupo às 14h30."
"Chegou um cara estranho."
"02h40 — pessoa desconhecida tocou o interfone dizendo procurar 'o Marcos'. Não há morador com esse nome. Não foi autorizada a entrada. A pessoa saiu em direção à rua X. Registrado em câmera."
Chaves
Armário fechado, com controle de quem retirou, quando e quando devolveu.
Chave de unidade só se entrega a quem está autorizado por escrito pelo morador.
Chave nunca vai para prestador sem autorização expressa e registrada.
Chave de áreas comuns segue a regra do condomínio, sempre com registro.
Chave que sumiu é ocorrência imediata: registre e comunique.
Correspondência e encomendas
Confira o nome e a unidade antes de receber. Envelope de outro endereço não se recebe.
Registre tudo: remetente, unidade, data e hora, onde ficou guardado.
Não assine como se fosse o morador. Assine com o seu nome e a função.
Guarde em local fechado, longe de umidade e da vista de quem passa.
Avise o morador pelo canal combinado.
Entrega que exige assinatura do destinatário, documento ou pagamento: não receba, oriente o entregador.
Confira a regra do condomínio sobre comida e produto perecível — muitos não permitem guardar.
Jornada e saúde de quem trabalha à noite
A escala mais comum na portaria é a 12x36 — doze horas de trabalho por trinta e seis de descanso —, admitida pela CLT mediante acordo individual escrito ou norma coletiva. O trabalho noturno urbano, das 22h às 5h, tem adicional de 20% e hora reduzida de 52 minutos e 30 segundos. Confira sempre a convenção coletiva da sua categoria: ela costuma trazer piso, adicionais e benefícios próprios.
Trabalhar à noite cobra do corpo. O que ajuda a durar na profissão:
Dormir no escuro e no silêncio durante o dia, com horário fixo — não "quando dá".
Evitar café nas últimas horas do turno.
Levar comida de verdade; portaria e alimentação de máquina não combinam a longo prazo.
Levantar e se movimentar a cada hora. Ficar sentado doze horas cobra caro da coluna.
Cuidar da vista: tela de monitor por muitas horas cansa — pausa de olhar ao longe.
Levar a sério o sono ruim persistente e procurar o serviço médico.
Para refletir
Boa parte dos problemas que estouram na portaria começou num turno anterior e não foi registrada. Quanto do seu trabalho depende do que o colega escreveu — e quanto do dele depende do que você escreve?
Atividade prática
Escreva três registros de ocorrência fictícios seguindo o modelo da tabela: uma entrega, um barulho e uma pessoa não autorizada. Depois releia e retire toda palavra que seja opinião.
Módulo 3 de 5
Controle de acesso na prática
É o coração da função. Quem entra, como se confirma, o que se registra — e como negar entrada sem criar um conflito que vai parar no síndico.
A regra que organiza tudo
Ninguém entra sem autorização de quem tem o direito de autorizar. Não é o porteiro que decide quem sobe: é o morador, o responsável pela empresa, a direção da escola. O porteiro confirma, registra e libera — ou não libera.
Visitante
Receba pelo interfone ou no balcão, com educação e sem intimidade.
Pergunte o nome, a unidade que procura e quem o espera.
Confirme com o morador antes de liberar — sempre, mesmo que o visitante diga que é esperado, mesmo que já tenha vindo antes.
Identifique conforme a norma do local: documento, cadastro, crachá, foto.
Registre: nome, documento quando exigido, unidade, hora de entrada e hora de saída.
Oriente sobre onde estacionar, qual elevador usar e onde aguardar.
Se o morador não atende: o visitante espera ou volta. Não se libera "porque ele disse que é o sobrinho". É a situação clássica do golpe.
Prestador de serviço e obra
Autorização do morador, registrada. Em obra, confira se há autorização do síndico e se o horário permitido está sendo respeitado.
Identifique, registre entrada e confira a saída. Prestador que entrou e não saiu é ocorrência.
Anote empresa, nome, documento e unidade de destino.
Fique atento ao que entra e ao que sai. Material saindo em volume incomum se registra e se comunica.
Prestador não recebe chave de unidade sem autorização escrita.
Entregador
É o acesso mais frequente e o que mais gera atrito. Trabalhe com regra clara e trate bem: entregador é trabalhador, não suspeito.
Siga a norma do condomínio sobre subir ou entregar na portaria — e aplique a mesma regra para todos, sempre.
Confirme a unidade com o morador antes de liberar a subida.
Registre entrada e saída quando a norma exigir.
Ofereça o básico: onde parar a moto, onde esperar, acesso a banheiro e água quando o condomínio permitir.
Regras sobre uso de elevador variam por município e por convenção — conheça a do seu local e não improvise.
Mudança
Autorização prévia e horário permitido, conforme o regulamento.
Proteção do elevador e das áreas comuns.
Identificação da empresa e dos ajudantes.
Registro de início e fim.
Conferência do estado das áreas comuns depois — com registro, se houver dano.
Veículos e portão
O portão é o ponto mais vulnerável de qualquer condomínio, e o descuido tem nome: carona — quando um segundo veículo ou uma pessoa a pé entra aproveitando a abertura.
Acompanhe o fechamento com o olhar. Não abra e vire as costas.
Um veículo por abertura.
Atenção à pessoa a pé que se aproxima quando o portão abre.
Em portaria com clausura ou eclusa (dois portões que nunca ficam abertos ao mesmo tempo), respeite o ciclo completo, mesmo com fila.
Nunca deixe o portão travado aberto "para facilitar" — nem em mudança, nem em obra, nem em festa.
Se o portão quebrar, registre, comunique imediatamente e siga o procedimento de contingência do local.
Câmeras e LGPD
Imagem de pessoa é dado pessoal, e o registro de visitantes também. A LGPD (Lei nº 13.709/2018) se aplica ao condomínio e à empresa. Na prática, para quem está na portaria:
Acesso restrito. Monitor posicionado de forma que morador e visitante não enxerguem.
Não compartilhe imagem com morador, com vizinho, em grupo de WhatsApp, nem com quem "só quer ver uma coisinha". Pedido de imagem vai para o síndico ou para a administração, que decide conforme a política do condomínio.
Não filme com o celular a tela do monitor.
Câmera não se instala em área de privacidade — banheiro, vestiário, interior de unidade.
Aviso visível de que o local é monitorado.
Prazo de guarda definido pelo condomínio; imagem não se guarda para sempre.
O livro e a ficha de visitantes também são dados pessoais: guarde em local fechado, não deixe no balcão aberto para quem passa.
Pedido de autoridade policial ou judicial: encaminhe ao síndico ou à administradora, que respondem formalmente.
Como negar entrada sem criar conflito
Negar é parte do trabalho. O jeito de negar é o que define se vai dar problema.
Em vez de
Diga
"Não pode."
"A regra aqui é confirmar com o morador antes. Vou ligar agora para o senhor não ficar esperando à toa."
"Não é comigo."
"Isso quem resolve é a administração. Posso anotar o seu nome e telefone e pedir que entrem em contato?"
"Você não vai subir."
"Sem a confirmação eu não posso liberar. Se o senhor puder aguardar aqui, eu tento de novo em alguns minutos."
"Regra é regra."
"Entendo que é chato esperar. É a norma do condomínio e vale para todo mundo, inclusive para mim."
Três princípios: explique a regra em vez de só aplicá-la; ofereça uma alternativa; e não personalize — não é você contra a pessoa, é a norma da casa.
Para refletir
O golpe mais comum em portaria não usa arma: usa pressa e simpatia. Alguém chega bem-vestido, com nome de morador na ponta da língua, e diz que está atrasado. O que segura essa entrada é procedimento, não intuição.
Atividade prática
Escreva o procedimento de liberação de visitante do seu local em no máximo sete passos, numa folha. Peça a alguém de fora para ler e dizer se conseguiria executar sem perguntar nada.
Módulo 4 de 5
Emergências: os primeiros minutos
Em quase toda emergência de prédio, quem está na portaria é a primeira pessoa a saber e a única com visão do conjunto. O que acontece nos primeiros minutos costuma decidir o resto.
A regra geral
Mantenha a calma e não se exponha. Porteiro ferido deixa de ajudar e vira mais uma vítima.
Acione quem tem que agir — e saiba os números de cor.
Libere o acesso para o socorro: portão aberto, vaga livre, elevador liberado, alguém para receber.
Informe bem: endereço completo com ponto de referência, o que houve, quantas pessoas, se há risco.
Avise o síndico ou o responsável.
Registre tudo depois, com horários.
Serviço
Número
Bombeiros
193
SAMU
192
Polícia Militar
190
Defesa Civil
199
Disque Direitos Humanos
100
Central de Atendimento à Mulher
180
Tenha também, afixados: telefone do síndico, da administradora, da empresa de elevador, da concessionária de gás e de energia, e do plantão de manutenção.
Incêndio
Acione o alarme e ligue para o 193 imediatamente. Ligue antes de tentar combater.
Só combata princípio de incêndio — fogo pequeno, começando — e apenas se você tiver treinamento e uma rota de fuga garantida às suas costas.
Nunca use o elevador e oriente todo mundo a usar a escada.
Oriente a saída pela rota de fuga até o ponto de encontro.
Libere o acesso dos bombeiros: portão, hidrante, vaga.
Informe aos bombeiros o que souber: onde começou, se há pessoa presa, onde fica o registro de gás, quantos andares.
Conheça, antes de precisar: onde ficam os extintores, os hidrantes, o registro geral de gás, o quadro de energia, a rota de fuga e o ponto de encontro.
Tipos de extintor, em resumo: água para papel, madeira e tecido; pó químico para líquido inflamável e, conforme o tipo, equipamento elétrico; CO₂ para equipamento elétrico. Nunca água em equipamento energizado nem em óleo. Combate a incêndio exige treinamento presencial de brigada — este módulo dá noção e limite, não substitui o treinamento.
Pessoa presa no elevador
Fale com a pessoa pelo interfone e não interrompa o contato. Metade do problema é o medo.
Informe que já está acionando o socorro e que não falta ar na cabine.
Acione a empresa de manutenção do elevador; se houver risco à saúde de alguém, chame o 193.
Não tente abrir a porta nem destravar o elevador. Já houve morte de quem tentou.
Oriente a pessoa a não forçar a porta e a se afastar dela.
Registre horário do chamado e da liberação.
Outras situações
Situação
Primeira conduta
Cheiro de gás
Não acenda luz nem aperte interruptor, não use o interfone perto do local. Feche o registro geral se souber onde fica e for seguro, abra janelas, afaste as pessoas e chame a concessionária e o 193.
Falta de energia
Conferir se é geral ou do prédio, acionar manutenção, verificar se há alguém preso no elevador, ligar a iluminação de emergência e reforçar a atenção no portão.
Alagamento ou vazamento grande
Fechar registro se possível, afastar pessoas da área, atenção redobrada com água perto de quadro elétrico, acionar manutenção.
Mal súbito, desmaio, queda
Chamar o 192, não mover a pessoa se houver suspeita de queda com lesão, manter afastada a aglomeração, liberar o acesso da ambulância e receber a equipe.
Engasgo ou parada
Chamar o 192 e iniciar as manobras somente se você tiver treinamento. Enquanto isso, garanta que alguém receba o socorro na entrada.
Tentativa de invasão ou roubo
Não reaja e não enfrente. Sua vida vale mais que o patrimônio. Obedeça, memorize o que puder, acione o 190 assim que for seguro e preserve o local.
Ameaça de bomba ou objeto suspeito
Não toque, afaste as pessoas, acione 190 e 193.
Sobre o item do roubo, vale insistir: nenhum patrimônio justifica reação. Porteiro não é vigilante, não é armado e não tem treinamento para confronto. Entregar o que for pedido é o procedimento correto, e nenhum empregador pode exigir o contrário.
Primeiros socorros: o limite
Você pode e deve: chamar o socorro, proteger a pessoa, impedir aglomeração, informar o que viu e receber a equipe. Primeiros socorros com as mãos — compressões, desobstrução, imobilização — exigem treinamento presencial com prática. Vale muito fazer um; a maioria dos condomínios paga, e é o tipo de qualificação que diferencia currículo.
Para refletir
Você saberia dizer agora, sem consultar, onde fica o registro geral de gás do seu local de trabalho? Se a resposta demorar mais de cinco segundos, esse é o primeiro trabalho de casa.
Atividade prática
Faça o mapa de emergência da sua portaria numa folha: extintores, hidrantes, registro de gás, quadro de energia, rota de fuga, ponto de encontro e a lista de telefones. Deixe afixado onde qualquer colega de turno encontre.
Módulo 5 de 5
Atendimento, conflitos e situações delicadas
A parte técnica se aprende rápido. O que separa o porteiro que fica do que é substituído é como ele lida com gente — inclusive com gente difícil e em situações que ninguém ensina.
O básico do bom atendimento
Cumprimente sempre, e aprenda os nomes. "Bom dia, seu Antônio" muda o clima de um prédio inteiro.
Trate todos igual — morador, visitante, entregador, diarista, coletor de lixo. Portaria que trata mal quem parece ter menos é portaria que todo mundo percebe.
Apresentação pessoal cuidada e uniforme limpo.
Celular não fica na mão. É o que mais gera reclamação de morador e o que mais causa falha no portão.
Postura no balcão: atenda de pé quando alguém chega, olhe nos olhos, não coma na frente do público.
Não tome partido em briga de vizinho nem em assunto de assembleia.
Morador alterado
Vai acontecer: alguém vai descontar em você uma raiva que não é sua. O que funciona:
Deixe falar. Interromper aumenta.
Baixe o tom — a pessoa tende a acompanhar.
Reconheça o incômodo sem assumir culpa que não é sua: "entendo que o senhor ficou esperando, isso é chato mesmo".
Explique a regra e o que você pode fazer.
Encaminhe o que não é da sua alçada: síndico, administradora.
Registre no livro, com fatos.
Se houver ofensa, ameaça ou agressão, comunique o síndico e a administradora por escrito no mesmo dia. Ninguém é obrigado a trabalhar sob agressão, e existe caminho formal para isso.
Situações delicadas que chegam na portaria
Situação
Conduta
Criança sozinha querendo sair, ou chegando sem adulto
Acolher, não deixar sair, avisar a família imediatamente. Se não houver responsável e a situação se prolongar, acionar o Conselho Tutelar.
Idoso desorientado
Acolher com calma, não deixar sair sozinho, identificar a unidade, avisar a família. Em caso de risco, acionar 192.
Pessoa em situação de rua na entrada
Tratar com respeito, sem agressão nem ameaça. Se precisar, acionar o serviço de abordagem social do município. Chamar a polícia não é a primeira resposta.
Oficial de justiça, fiscal ou policial
Identificar, registrar, e comunicar o síndico ou a administradora. Não libere acesso a unidade por conta própria e não impeça o exercício da função — encaminhe a quem responde pelo condomínio.
Cobrador ou vendedor
Não liberar. Regra igual para todos.
Ex-cônjuge com medida protetiva
Não liberar acesso. Comunicar o morador e o síndico. Havendo insistência ou risco, acionar 190.
Violência doméstica: o porteiro pode salvar uma vida
Quem trabalha na portaria escuta o que acontece atrás das portas: grito, choro, barulho de móvel, pedido de ajuda. É uma posição incômoda e importante.
O programa Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica, instituído pela Lei nº 14.188/2021, criou um código simples: a mulher em situação de violência pode fazer um "X" na palma da mão, de preferência com batom vermelho, e mostrar a alguém — em farmácia, mercado, repartição, ou na portaria. É um pedido de socorro sem precisar falar.
Se você receber esse sinal, ou perceber a situação:
Não faça perguntas em voz alta nem chame atenção. O agressor pode estar por perto.
Acione o 190 discretamente, informando o endereço e que se trata de violência doméstica.
Ofereça um lugar seguro para a pessoa aguardar, se houver.
Informe o 180 (Central de Atendimento à Mulher) como canal de orientação.
Não confronte o agressor e não tente mediar. Não é o seu papel e é perigoso.
Registre o que você viu e o que fez, com horário.
Mantenha sigilo — não comente com outros moradores.
Em caso de barulho de agressão, você não precisa de certeza para ligar para o 190. Quem apura é a polícia.
Assédio e o seu próprio limite
Porteiro também sofre assédio — moral e sexual, de morador ou de chefia. Saiba que:
Pedido de favor pessoal fora da função pode e deve ser recusado com educação.
Humilhação, apelido, grito e ameaça não são "jeito de ser do morador": são conduta a registrar e comunicar.
A empresa ou o condomínio tem obrigação de manter canal de denúncia e de agir — é exigência da Lei nº 14.457/2022 para organizações com CIPA.
Registre por escrito, guarde cópia e leve ao síndico, à administradora e, se preciso, ao sindicato ou à fiscalização do trabalho.
Com quem você se relaciona
Síndico: responde pelo condomínio; é a quem se comunica o que foge da rotina.
Administradora: cuida da parte administrativa e trabalhista.
Zelador: cuida da manutenção e da limpeza — função diferente da sua, embora em prédio pequeno às vezes se misturem.
Colegas de turno: a passagem de serviço é o que faz a portaria funcionar como uma coisa só.
Moradores: relação cordial e profissional, sem intimidade excessiva e sem envolvimento em conflito interno.
Como conseguir e manter a vaga
Destaque no currículo: este curso, primeiros socorros, brigada de incêndio, informática básica e atendimento ao cliente.
Documentação em dia: RG, CPF, carteira de trabalho digital, título, comprovante de residência e certidões que a empresa pedir.
Na entrevista, o que mais pesa é pontualidade, discrição e jeito de falar com as pessoas. Conte um exemplo concreto de como você resolveu um problema com alguém difícil.
Procure vagas em: administradoras de condomínio, empresas de facilities e conservação, grupos de bairro, e diretamente com síndicos.
Quem fica na vaga é quem registra bem, chega no horário e não cria problema com morador. É simples de dizer e raro de encontrar.
Voltando ao começo
Repetindo o que abre este curso: aqui você se qualificou para portaria e controle de acesso. Se alguém lhe oferecer função de vigilante com base neste certificado, a oferta é irregular — vigilante exige curso de formação de 200 horas em escola autorizada, idade mínima de 21 anos e os demais requisitos do Estatuto da Segurança Privada. Saber a diferença protege o seu emprego e a sua ficha.
Para refletir
Um morador manda você "dar uma volta no estacionamento de hora em hora, de noite". Parece um pedido pequeno. Pelo que você viu no Módulo 1, isso ainda é portaria?
Atividade prática
Monte o seu roteiro de primeiro dia numa portaria: dez perguntas que você faria ao colega do turno anterior e cinco lugares que você precisaria localizar antes de assumir sozinho.
Para saber mais
Lei nº 14.967/2024 — Estatuto da Segurança Privada, com atenção ao artigo 25.
LGPD (Lei nº 13.709/2018), para imagens e registros de visitantes.
Lei nº 14.188/2021 — programa Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica.
Código Civil, artigos 1.331 a 1.358, sobre condomínio edilício; e a convenção e o regimento interno do seu local.
Convenção coletiva da sua categoria, no site do sindicato.
Cursos "Primeiros Socorros no Dia a Dia", "Atendimento ao Cliente", "Segurança do Trabalho: Noções Básicas", "Noções de NR-05: CIPA" e "LGPD na Prática", aqui no Cursos Conecta.
Avaliação final
Avaliação final
São 15 questões sobre os 5 módulos. Para ser aprovado(a) e poder emitir o certificado, você precisa acertar pelo menos 11. Você pode refazer a prova quantas vezes quiser.