Brincadeiras e jogos que ensinam, com propostas prontas para aplicar: 5 módulos de leitura com atividades práticas, mais a avaliação final
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Módulo 1 de 5
O brincar e a infância
Brincar não é "passar o tempo" nem um prêmio para depois das atividades sérias. Para a criança pequena, brincar é a principal forma de conhecer o mundo, os outros e a si mesma. Neste módulo você vai entender o que é ludicidade e por que o brincar é um direito.
O que é ludicidade
A palavra lúdico vem do latim ludus, que significa jogo, brincadeira. Ludicidade é tudo aquilo que envolve prazer, envolvimento e liberdade: brincar, jogar, imaginar, cantar, dançar, inventar. Uma atividade é lúdica quando a criança se entrega a ela por inteiro, por vontade própria, e não apenas porque um adulto mandou.
Um ponto importante: nem toda atividade com cara de brincadeira é lúdica. Uma "brincadeira" em que as crianças só repetem o que o adulto manda, sem espaço para escolher e criar, pode ser uma atividade dirigida bem-feita, mas perde muito do que o brincar tem de mais rico.
Brinquedo, brincadeira e jogo
No Brasil, a pesquisadora Tizuko Morchida Kishimoto se dedicou a estudar esses termos, que muitas vezes usamos como sinônimos:
Termo
O que é
Exemplos
Brinquedo
O objeto que dá suporte à brincadeira.
Boneca, bola, carrinho, caixa de papelão, pedrinhas.
Brincadeira
A ação de brincar, livre e aberta, em que as regras são criadas e mudadas pelas próprias crianças.
Brincar de casinha, de médico, de super-herói.
Jogo
Atividade com regras mais definidas, conhecidas antes, e muitas vezes com um objetivo de ganhar ou chegar a algum lugar.
Dominó, jogo da memória, amarelinha, esconde-esconde.
As fronteiras entre esses termos não são rígidas: um mesmo objeto pode virar brinquedo de muitas formas diferentes, e uma brincadeira livre pode, aos poucos, ganhar regras e virar jogo.
Características do brincar
É livre: a criança escolhe brincar, e pode parar quando quiser.
Dá prazer, mesmo quando é desafiador ou dá um pouco de medo, como subir num lugar alto.
Tem um "faz de conta": a criança sabe que é brincadeira. A vassoura vira cavalo, mas ela sabe que é uma vassoura.
Tem regras, mesmo quando não parece: quem brinca de mamãe e filhinho segue as regras de como uma mãe e um filho se comportam.
Importa mais o processo do que o resultado: o castelo de areia pode ser derrubado sem tristeza.
O brincar é um direito
O direito de brincar está garantido em diversos documentos:
A Convenção sobre os Direitos da Criança (ONU, 1989), no artigo 31, reconhece o direito da criança ao descanso, ao lazer, a participar de brincadeiras e atividades recreativas e à vida cultural e artística.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990) inclui o direito de "brincar, praticar esportes e divertir-se" entre os aspectos do direito à liberdade.
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2009) estabelecem que as práticas pedagógicas devem ter como eixos norteadores as interações e a brincadeira.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) coloca o brincar entre os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil.
Infâncias com menos tempo para brincar
Muitas crianças hoje brincam menos do que as gerações anteriores: têm menos espaço seguro na rua, agendas cheias e muito tempo diante de telas. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda nenhuma exposição a telas para menores de 2 anos e, de 2 a 5 anos, no máximo uma hora por dia, sempre com supervisão. Desde 2025, a Lei nº 15.100 também restringe o uso de celulares e outros aparelhos portáteis pessoais nas escolas de educação básica.
Isso torna a escola de Educação Infantil um espaço ainda mais importante para garantir tempo, lugar e companhia para brincar.
Para refletir
Do que você mais gostava de brincar na infância? Onde brincava, com quem, com quais objetos? O que você aprendeu nessas brincadeiras que carrega até hoje?
Atividade prática
Converse com duas pessoas de gerações diferentes (por exemplo, uma avó e um adolescente) sobre as brincadeiras da infância delas. Anote as brincadeiras citadas, onde aconteciam e quais objetos usavam. Compare com as brincadeiras das crianças de hoje.
Módulo 2 de 5
Brincar e desenvolvimento
Enquanto brinca, a criança se movimenta, fala, imagina, negocia, resolve problemas e lida com emoções. Neste módulo você vai conhecer o que alguns estudiosos dizem sobre o brincar e entender qual é o papel do adulto.
O que dizem os estudiosos
Jean Piaget: o jogo muda com a idade
O pesquisador suíço Jean Piaget observou que as formas de brincar acompanham o desenvolvimento do pensamento da criança. Ele descreveu três grandes tipos de jogo:
Tipo
Quando predomina
Exemplos
Jogo de exercício
Primeiros anos de vida
Bater um objeto no outro, jogar e pegar, abrir e fechar, encher e esvaziar, pelo prazer de repetir e dominar o movimento.
Jogo simbólico
Por volta de 2 a 6 ou 7 anos
Faz de conta: a caixa vira carro, a criança vira leão, a boneca "come" comidinha.
Jogo de regras
Ganha força a partir de 6 ou 7 anos
Jogos com regras combinadas e respeitadas pelo grupo, como pega-pega, dominó, futebol.
Um tipo não desaparece quando surge o outro: adultos também fazem jogos de exercício (como quicar uma bola) e jogos simbólicos (como o teatro).
Lev Vygotsky: o faz de conta faz crescer
Para o pesquisador russo Lev Vygotsky, a brincadeira de faz de conta cria uma situação imaginária em que a criança age além do seu comportamento habitual: quando brinca de professora, ela se esforça para falar, organizar e cuidar como uma professora. Por isso ele dizia que, na brincadeira, a criança se comporta como se fosse "maior do que é". O faz de conta também ajuda a criança a seguir regras por vontade própria e a separar o significado das coisas dos objetos concretos, um passo importante para o pensamento abstrato.
Conversar durante o faz de conta, inventar histórias, cantar cantigas, brincar com rimas e trava-línguas.
Pensamento
Resolver problemas ("como a torre não cai?"), classificar, contar, comparar tamanhos, criar estratégias.
Relações e emoções
Esperar a vez, negociar papéis, lidar com a frustração de perder, cooperar, expressar medos e desejos.
Imaginação e criatividade
Transformar objetos, criar personagens, inventar mundos e regras.
Brincar livre e brincadeira dirigida
Na Educação Infantil, os dois têm lugar:
Brincar livre: a criança escolhe do que, com quem e como brincar, em espaços e com materiais preparados pelo adulto. É o momento em que ela exerce mais autonomia e imaginação.
Brincadeira dirigida: o adulto propõe um jogo ou uma brincadeira com um objetivo, ensina regras, apresenta cantigas e jogos que as crianças ainda não conhecem.
Um desequilíbrio comum é reduzir o brincar livre a poucos minutos no parque e encher a rotina de atividades dirigidas no papel. As crianças precisam de tempo longo e de qualidade para que as brincadeiras se desenvolvam.
O papel do adulto
O adulto não é só um "vigia" do recreio, nem precisa controlar tudo. Ele tem vários papéis importantes:
Organizar espaços, tempos e materiais interessantes.
Observar com atenção: do que as crianças brincam, como se relacionam, o que as desafia.
Brincar junto, quando for convidado ou quando for útil, sem tomar conta da brincadeira.
Ampliar o repertório: apresentar novas brincadeiras, materiais e histórias que alimentem o faz de conta.
Mediar conflitos, ajudando as crianças a conversar e encontrar soluções.
Garantir a segurança sem eliminar todos os desafios: subir, equilibrar-se e arriscar um pouco faz parte de aprender.
Para refletir
Por que muitas vezes os adultos consideram o brincar menos importante do que a "atividade de verdade" no caderno ou na folha? De onde vem essa ideia?
Atividade prática
Observe crianças brincando livremente por 20 minutos (em uma escola, praça ou em casa). Registre o que elas fazem e, para cada situação, identifique qual tipo de jogo aparece (exercício, simbólico ou regras) e quais áreas do desenvolvimento estão envolvidas.
Módulo 3 de 5
O brincar na BNCC e na rotina da Educação Infantil
Neste módulo você vai ver como os documentos oficiais colocam o brincar no centro da Educação Infantil e como organizar espaços, materiais e tempos para que as crianças brinquem mais e melhor.
Interações e brincadeira: os eixos
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil definem que todas as práticas pedagógicas dessa etapa devem ter dois eixos: as interações e a brincadeira. A BNCC mantém esses eixos e organiza a Educação Infantil a partir de direitos e de campos de experiências, e não de disciplinas.
Os seis direitos de aprendizagem
Segundo a BNCC, na Educação Infantil toda criança tem direito a:
Conviver com outras crianças e adultos.
Brincar cotidianamente, de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros.
Participar ativamente das decisões e atividades.
Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, relacionamentos, histórias, objetos e elementos da natureza.
Expressar necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas e opiniões.
Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural.
Os cinco campos de experiências
Campo
Brincadeiras que se relacionam
O eu, o outro e o nós
Faz de conta, brincadeiras de roda, jogos cooperativos, brincadeiras de diferentes culturas.
Instrumentos com sucata, brincadeiras cantadas, pintura, modelagem, teatro de sombras.
Escuta, fala, pensamento e imaginação
Contação de histórias, trava-línguas, parlendas, telefone sem fio, adivinhas, "o que é, o que é?".
Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações
Jogos de contagem, boliche, blocos de construção, brincadeiras com água e areia, experiências com a natureza.
Uma mesma brincadeira quase sempre envolve vários campos ao mesmo tempo. A amarelinha, por exemplo, trabalha movimento, números, regras e convivência.
Os espaços também educam
A organização da sala e dos espaços externos diz às crianças o que elas podem fazer. Uma sala com todas as mesas enfileiradas convida a ficar sentado; uma sala com cantos diferentes convida a escolher e brincar. Algumas ideias:
Cantos ou ambientes: casinha e faz de conta, leitura, construção, artes, jogos de mesa, fantasias.
Materiais ao alcance das crianças, organizados e identificados com imagens, para que possam pegar e guardar sozinhas.
Área externa com areia, terra, água, plantas, troncos, desníveis, sombra.
Espaços que possam ser transformados: panos, caixotes e almofadas viram cabana, navio ou castelo.
Materiais não estruturados
Materiais não estruturados são objetos sem uma função de brinquedo definida: tampinhas, caixas, tecidos, rolos de papelão, pedras, gravetos, pinhas, conchas, carretéis, potes. Por não terem um "jeito certo" de usar, eles estimulam a imaginação: uma caixa pode ser carro, casa, cama de boneca ou tambor. Além disso, são baratos e fáceis de reunir com a ajuda das famílias. Sempre verifique se são limpos, seguros e de tamanho adequado à idade.
E os bebês?
Bebês também brincam, e muito. Eles exploram com a boca, as mãos e o corpo todo. Duas propostas criadas pela educadora inglesa Elinor Goldschmied são muito usadas com essa faixa etária:
Cesto dos tesouros: para bebês que já sentam, mas ainda não andam. Um cesto baixo com objetos do cotidiano de materiais naturais e variados (madeira, metal, tecido, escova, colher de pau, esponja natural) para explorar livremente.
Brincar heurístico: para crianças que já andam. Coleções de objetos (latas, tampas, correntes, rolos, potes) para encher, esvaziar, encaixar, empilhar e combinar.
Nos dois casos, o adulto prepara os materiais, observa e fica disponível, sem interferir na exploração, e confere sempre a segurança dos objetos.
O tempo de brincar na rotina
A rotina deve prever momentos longos de brincadeira, e não apenas intervalos curtos entre outras atividades. Também é preciso respeitar os momentos de transição: avisar antes que a brincadeira vai acabar e, quando possível, permitir que as construções fiquem guardadas para continuar depois.
Para refletir
Se você entrasse em uma sala de Educação Infantil vazia, sem crianças, o que o espaço diria sobre o que se espera delas? Que tipo de brincadeira aquela sala convida a fazer?
Atividade prática
Monte um cesto dos tesouros ou uma coleção de materiais não estruturados com pelo menos 20 objetos que você encontrar em casa. Faça uma lista, indicando o material de cada um e os cuidados de segurança necessários (tamanho, pontas, peças soltas, higiene).
Módulo 4 de 5
Jogos e brincadeiras na prática
Este módulo reúne propostas prontas para aplicar com crianças da Educação Infantil, organizadas por tipo, com dicas de como conduzir e adaptar para que todas participem.
Brincadeiras tradicionais
As brincadeiras tradicionais são transmitidas de geração em geração e fazem parte da cultura da infância. Ao ensiná-las, a escola ajuda a preservar essa cultura. Algumas propostas:
Corre cotia
As crianças sentam em roda. Uma delas corre por fora com um lenço, enquanto todos cantam "Corre cotia, na casa da tia...". Ela deixa o lenço atrás de um colega, que deve pegá-lo e tentar alcançá-la antes que ela sente no lugar vago. Trabalha atenção, corrida, espera da vez e canto.
Batata quente
Em roda, as crianças passam uma bola de mão em mão enquanto alguém, de costas, repete "batata quente, quente, quente..." até dizer "queimou!". Quem estiver com a bola sai ou paga uma prenda divertida, como imitar um bicho. Com os menores, ninguém sai: quem "queimou" escolhe a próxima música.
Amarelinha
Desenhada no chão com giz ou fita, trabalha equilíbrio, sequência numérica e regras. Com as crianças menores, comece só pulando nas casas; depois, introduza a pedrinha e as regras de pular a casa ocupada.
Cantigas de roda
"Ciranda, cirandinha", "Escravos de Jó", "A canoa virou", "Pirulito que bate bate", "Atirei o pau no gato" (que hoje muitos cantam como "Não atire o pau no gato"). Cantar e girar juntos trabalha ritmo, memória, linguagem e a sensação de pertencer ao grupo.
Jogos de linguagem
Telefone sem fio: uma palavra ou frase passa de ouvido em ouvido; no final, comparam o que chegou com o que saiu.
Trava-línguas e parlendas: "O rato roeu a roupa do rei de Roma", "Um, dois, feijão com arroz". Primeiro devagar, depois cada vez mais rápido.
Adivinhas: "O que é, o que é? Tem dente, mas não morde." (o pente).
Caixa surpresa: a criança coloca a mão em uma caixa sem ver o objeto e descreve o que sente para os colegas adivinharem.
Jogos com números e quantidades
Boliche de garrafas PET: as crianças contam quantas garrafas derrubaram e registram com desenhos ou números.
Jogo de percurso: um caminho desenhado no chão ou em papel, com um dado grande de espuma. Anda-se o número de casas que sair no dado.
Mercadinho: embalagens vazias, "dinheirinho" de papel e uma caixa registradora de sucata. Envolve contagem, faz de conta e linguagem.
Caça ao tesouro das formas: procurar pela escola objetos redondos, quadrados, compridos, pesados, leves.
Faz de conta
Para alimentar o faz de conta, ofereça fantasias e acessórios (chapéus, bolsas, tecidos, óculos sem lente), objetos do cotidiano (panelas, telefones antigos, teclados velhos) e temas ligados às experiências das crianças: consultório, feira, salão de beleza, oficina, restaurante. Uma história lida na roda pode virar tema de brincadeira no mesmo dia.
Jogos cooperativos
Nos jogos cooperativos, todos jogam juntos para alcançar um objetivo comum, em vez de uns ganharem e outros perderem. São ótimos para os pequenos, que ainda estão aprendendo a lidar com a derrota.
Paraquedas: um lençol grande ou tecido segurado por todos nas bordas. Juntos, sobem e descem, fazem ondas, jogam uma bola para cima sem deixá-la cair.
Dança das cadeiras cooperativa: a cada rodada sai uma cadeira, mas ninguém sai do jogo: todos precisam encontrar um jeito de caber, sentando no colo ou dividindo.
Levar o balão: em duplas, as crianças carregam um balão entre as costas ou as testas até um ponto, sem usar as mãos.
Como conduzir uma brincadeira
Prepare o espaço e os materiais antes de chamar as crianças.
Explique as regras de forma curta e demonstrando, com poucas regras de cada vez.
Faça uma rodada de teste.
Brinque junto no começo e, aos poucos, deixe que as crianças conduzam.
Observe se todos estão participando e ajuste o que for preciso.
Ao final, converse: do que gostaram? O que foi difícil? Que regra poderiam mudar?
Todas as crianças brincam
Pequenas adaptações garantem que crianças com deficiência ou com necessidades diferentes participem:
Bolas com guizo para crianças com deficiência visual.
Sinais visuais combinados, além da fala, para crianças surdas.
Brincadeiras sentadas ou com percurso ajustado para quem usa cadeira de rodas.
Espaço mais calmo e regras antecipadas para crianças que se incomodam com barulho e surpresas.
Duplas e papéis combinados, para que ninguém fique de fora.
Para refletir
Em brincadeiras em que alguém "sai" do jogo, quem costuma sair primeiro? O que essa criança fica fazendo enquanto os outros continuam? Como adaptar para que ninguém fique esperando muito tempo?
Atividade prática
Escolha três brincadeiras deste módulo e aplique com crianças (da escola, da família ou da vizinhança). Para cada uma, registre: quantas crianças participaram, como você explicou as regras, o que funcionou, o que foi difícil e qual adaptação você faria da próxima vez.
Módulo 5 de 5
Planejar, observar e registrar
Brincar na escola não é deixar as crianças soltas sem propósito. Neste módulo você vai aprender a planejar com intenção, a observar as brincadeiras com olhar de pesquisador e a registrar e compartilhar o que as crianças aprendem.
Intencionalidade pedagógica
A BNCC destaca a intencionalidade educativa na Educação Infantil: o professor organiza e propõe experiências pensando no que as crianças podem viver e aprender. Isso não significa transformar cada brincadeira em uma "aula disfarçada". Significa que, por trás da escolha de um espaço, de um material ou de uma brincadeira, há uma reflexão do professor sobre o grupo.
Um planejamento simples
Para planejar uma proposta lúdica, responda:
Pergunta
Exemplo
Para quem?
Turma de 4 anos, 18 crianças. Muitas estão interessadas em bichos.
Por quê?
Ampliar o faz de conta e o vocabulário sobre animais; favorecer a brincadeira em pequenos grupos.
Campos de experiências
O eu, o outro e o nós; Escuta, fala, pensamento e imaginação; Corpo, gestos e movimentos.
O quê?
Montagem de um "zoológico" com caixas, tecidos e animais de brinquedo, depois da leitura de um livro sobre bichos.
Como e onde?
No pátio coberto, com três estações. Materiais separados antes. Duração de 50 minutos.
O que observar?
Como as crianças dividem os papéis, que palavras usam, quem fica de fora.
Observar com atenção
Observar é diferente de "olhar por cima". Enquanto as crianças brincam, o professor pode se perguntar:
Do que elas estão brincando? Qual é o enredo?
Com quem cada criança brinca? Alguém brinca sempre sozinho ou fica de fora?
Que problemas elas enfrentam e como resolvem?
Que palavras, gestos e ideias novas aparecem?
O que desperta mais interesse? O que poderia ser oferecido para ampliar a brincadeira?
Essas observações ajudam a planejar os próximos passos a partir do que as crianças mostram, e não apenas do que o adulto imaginou.
Registrar
O registro guarda a memória do que aconteceu e mostra o percurso das crianças. Pode ser feito de várias formas:
Anotações curtas no caderno ou em fichas, com data e nome das crianças.
Fotografias de construções, desenhos e momentos da brincadeira.
Pequenos vídeos ou gravações de falas das crianças.
Produções das crianças: desenhos, mapas, registros de pontuação dos jogos.
Ao fotografar e filmar, respeite a privacidade: siga as regras da escola e tenha a autorização das famílias para o uso das imagens, principalmente se forem compartilhadas fora da escola.
Documentação pedagógica e portfólio
Quando o professor seleciona, organiza e comenta os registros, eles se tornam documentação pedagógica: painéis nas paredes, mini-histórias com fotos e legendas, portfólios individuais ou da turma. Essa documentação mostra às crianças, às famílias e à equipe o que foi vivido e aprendido. As próprias crianças podem participar escolhendo as fotos e contando o que fizeram.
Avaliar sem nota
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação determina que, na Educação Infantil, a avaliação é feita mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao Ensino Fundamental. Não há provas, notas ou reprovação. O que existe é o acompanhamento de cada criança, comparando-a com ela mesma ao longo do tempo, e relatórios que contam o seu percurso.
Conversar com as famílias sobre o brincar
Algumas famílias se preocupam quando ouvem que a criança "só brincou" na escola. Mostrar a documentação ajuda a explicar o que as crianças aprenderam brincando. Outras ideias:
Convidar as famílias para uma manhã de brincadeiras tradicionais, em que os adultos ensinam as brincadeiras da sua infância.
Enviar sugestões de brincadeiras para fazer em casa, com materiais simples.
Pedir ajuda para reunir materiais não estruturados.
Compartilhar as recomendações sobre o uso de telas de forma acolhedora, sem julgar.
Segurança sem exagero
Um ambiente seguro não é aquele em que nada pode acontecer, e sim aquele em que os riscos graves foram eliminados e os pequenos desafios foram mantidos. Confira sempre: objetos pequenos longe dos bebês, brinquedos sem partes quebradas ou pontiagudas, parque com piso adequado, supervisão constante. E permita que as crianças subam, pulem, se equilibrem e experimentem, porque é assim que aprendem a conhecer os próprios limites.
Para refletir
Como você explicaria para uma família preocupada que o filho "só brinca na escola" que brincar é aprender? Que exemplos concretos você daria?
Atividade prática
Usando o modelo de planejamento deste módulo, planeje uma proposta lúdica para uma turma de Educação Infantil. Depois, se possível, aplique-a, registre com anotações e fotos (com autorização) e monte uma mini-história de uma página contando o que as crianças viveram e aprenderam.
Para saber mais
Tizuko Morchida Kishimoto (org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação.
Lev S. Vygotsky. A formação social da mente.
Elinor Goldschmied e Sonia Jackson. Educação de 0 a 3 anos: o atendimento em creche.
Base Nacional Comum Curricular (BNCC): Educação Infantil.
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Resolução CNE/CEB nº 5/2009).
Avaliação final
Avaliação final
São 12 questões sobre os 5 módulos. Para ser aprovado(a) e poder emitir o certificado, você precisa acertar pelo menos 9. Você pode refazer a prova quantas vezes quiser.