NBR 5410, circuitos, disjuntor, DR, aterramento, defeitos e limites da profissão: 5 módulos de leitura com atividades práticas, mais a avaliação final
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Módulo 1 de 5
A profissão, o risco elétrico e os limites que você não atravessa
Eletricista instalador é uma das profissões mais procuradas do Brasil e uma das que mais permite trabalhar por conta própria. Também é a única em que um erro de dois segundos mata. Este módulo é o mais importante do curso — e o único que não dá para pular.
Leia antes de continuar
Este é um curso livre de noções de instalações elétricas residenciais. Ele não substitui o treinamento da NR-10.
A NR-10 exige, para quem trabalha em instalações elétricas, curso básico de 40 horas, com reciclagem periódica, conteúdo definido, instrutor qualificado e certificado emitido pelo empregador; para o Sistema Elétrico de Potência há um curso complementar. A norma classifica os profissionais em qualificado (com curso reconhecido pelo sistema oficial de ensino), habilitado (registrado no conselho de classe), capacitado (trabalha sob supervisão de qualificado ou habilitado) e autorizado (formalmente designado pela empresa).
Além disso, a NR-35 alcança qualquer serviço acima de 2 metros — o que inclui boa parte da instalação de luminária, poste e fiação alta.
O que este curso faz: ensina como funciona a instalação de uma casa, o que a norma técnica exige, como executar serviços residenciais simples com segurança e, principalmente, onde parar e chamar um profissional habilitado.
O que você nunca faz
Trabalhar em circuito energizado. Desligue, teste, trave. Não existe "é rapidinho".
Mexer no padrão de entrada, no ramal da concessionária ou no medidor. Isso é da distribuidora e exige profissional habilitado com responsabilidade técnica; mexer ali é crime e é o ponto onde mais gente morre.
Trabalhar na rede da rua ou em qualquer coisa acima da entrada da casa.
Assinar projeto ou responsabilidade técnica. Projeto elétrico e ART são de engenheiro ou técnico registrado no conselho.
Improvisar proteção. Disjuntor "mais forte" para parar de desarmar, moeda no porta-fusível, fio de cobre no lugar do fusível, emenda com fita sobre fio vivo — tudo isso é como começa um incêndio.
Trabalhar sozinho em serviço de risco, ou molhado, ou em cima de escada sem apoio.
O que a eletricidade faz no corpo
O que machuca não é a tensão: é a corrente que atravessa o corpo, e o caminho que ela faz. Correntes muito pequenas já provocam contração muscular involuntária — a pessoa "gruda" no fio e não consegue soltar. Um pouco acima disso, o risco é de parada respiratória e de fibrilação do coração. Tudo isso acontece em corrente que não chega perto de acender uma lâmpada.
Três fatores pioram tudo: água (pele molhada conduz muito melhor), o caminho pelo tórax (mão a mão, ou mão ao pé, passando pelo coração) e o tempo de contato.
O procedimento de desenergização, na ordem
Desligue o disjuntor do circuito — e, em serviço maior, o disjuntor geral.
Impeça a religação: trave o disjuntor e deixe um aviso visível. Se houver mais gente na casa, avise a todos. Ninguém religa o que você desligou.
Teste a ausência de tensão no próprio ponto onde vai trabalhar, com multímetro ou lâmpada de teste. Teste o instrumento antes e depois, num ponto que você sabe que tem energia, para ter certeza de que ele funciona.
Trabalhe, com ferramenta isolada, calçado seco e mãos secas.
Para religar: confira que a instalação está completa, que ninguém está com a mão no circuito, retire a trava e o aviso, e só então ligue.
A chave-teste de neon (aquela "caneta") não é instrumento confiável para atestar ausência de tensão: ela pode acender por indução e pode não acender mesmo com fio vivo. Use multímetro.
Socorro em caso de choque
Não toque na vítima enquanto ela estiver em contato com a energia — você vira a segunda vítima.
Desligue a energia no disjuntor. Se não der, afaste o condutor com material isolante e seco (cabo de vassoura de madeira seca), pisando em material seco.
Chame o 192 (SAMU) ou o 193.
Se a pessoa não responde e não respira normalmente, inicie a massagem cardíaca e siga as orientações da central até a ajuda chegar.
Toda vítima de choque vai ao hospital, mesmo que pareça bem: a queimadura interna e a arritmia podem aparecer horas depois.
Formatos de trabalho e ferramentas
Eletricista instalador trabalha com carteira assinada em construtora ou empresa de manutenção, como prestador autônomo, ou como MEI (a ocupação de eletricista está entre as permitidas). Para atuar em obras e empresas, os treinamentos de NR são exigência do contratante — e são pagos pelo empregador quando há vínculo.
Kit básico: multímetro (o instrumento mais importante), alicate universal, alicate de corte, alicate de bico, alicate desencapador, alicate de prensar terminal, chaves de fenda e Philips isoladas, chave de teste apenas como indicativo, trena, guia de passagem (fita), fita isolante de boa qualidade, lanterna de cabeça, escada de fibra (nunca de alumínio) e EPI: luva isolante, óculos, calçado de segurança e capacete quando for obra.
Atividade prática
Localize o quadro de distribuição da sua casa e desenhe um mapa: quantos disjuntores existem, qual a corrente escrita em cada um, existe DR, existe DPS, e o que cada disjuntor desliga. Descubra desligando um por vez e anotando. Esse mapa é a primeira coisa que um eletricista faz numa casa — e a maioria das casas não tem.
Módulo 2 de 5
Tensão, corrente, potência e os componentes do quadro
Não dá para dimensionar nada sem entender quatro grandezas e o que cada peça do quadro faz. É menos matemática do que parece: são três contas e elas resolvem quase tudo.
As grandezas
Grandeza
Símbolo
Unidade
O que é
Tensão
V (ou U)
volt (V)
A "pressão" que empurra os elétrons. No Brasil, 127 V ou 220 V conforme a região.
Corrente
I
ampère (A)
A quantidade que passa. É o que aquece o fio e o que mata.
Resistência
R
ohm (Ω)
A dificuldade que o material oferece à passagem.
Potência
P
watt (W)
O tanto de energia usado por segundo. É o que vem escrito no aparelho.
As contas que você vai usar todo dia:
P = V × I — potência é tensão vezes corrente.
I = P ÷ V — a mais útil de todas: quantos ampères esse aparelho puxa?
V = R × I — a Lei de Ohm.
Exemplo: um chuveiro de 5.500 W em 220 V puxa 5.500 ÷ 220 = 25 A. O mesmo chuveiro em 127 V puxaria mais de 43 A — que é a razão de chuveiro elétrico ser, quase sempre, ligado em 220 V.
E o consumo, que é o que vem na conta: kWh = (watts × horas de uso) ÷ 1.000. Um chuveiro de 5.500 W usado meia hora por dia consome 5.500 × 0,5 ÷ 1.000 = 2,75 kWh por dia.
Os três fios
Condutor
Cor (NBR 5410)
Função
Fase
Qualquer cor, exceto azul-claro, verde e verde-amarelo. Na prática: preto, vermelho, branco.
Traz a tensão. É o fio "vivo".
Neutro
Azul-claro, exclusivamente.
Fecha o circuito e retorna a corrente.
Proteção (terra)
Verde ou verde-amarelo, exclusivamente.
Escoa a corrente de falta para a terra. É o que impede que a carcaça de um aparelho fique energizada.
Essas cores são reservadas: azul-claro nunca é fase, verde e verde-amarelo nunca são outra coisa. Quem inverte cria uma armadilha para o próximo profissional — e o próximo profissional pode ser você.
Em interruptores, usa-se também o condutor de retorno, que leva a fase do interruptor até a lâmpada. Ele é fase e por isso não pode ser azul-claro nem verde.
O quadro de distribuição
Componente
O que protege
Disjuntor
Protege o fio contra sobrecarga e curto-circuito. Não protege pessoas.
DR (dispositivo diferencial residual)
Protege a pessoa. Compara a corrente que vai com a que volta; se a diferença passar de um valor mínimo, desliga em milésimos de segundo. É o que salva de choque e o que detecta fuga para a terra.
DPS (dispositivo de proteção contra surtos)
Protege os aparelhos de picos de tensão, como os causados por raio.
Barramento de neutro e de terra
Pontos comuns de ligação dos condutores.
Os três protegem coisas diferentes — e não se substituem
O erro conceitual mais comum é achar que "tem disjuntor, então está seguro". Disjuntor não sente choque. Quando uma pessoa toca um fio vivo, a corrente que passa pelo corpo é muito menor do que a que faria um disjuntor de 20 A desarmar — e é mais do que suficiente para matar.
Quem sente isso é o DR de alta sensibilidade (30 mA), e é por isso que a NBR 5410 o exige nos circuitos de áreas molhadas — banheiros, cozinhas, áreas de serviço —, nas tomadas externas, em locais com piscina e nos circuitos de chuveiro elétrico.
Casa antiga sem DR é o cenário em que mais acontece morte por choque no banho. Instalar DR em quadro existente é dos serviços de maior impacto que um eletricista pode oferecer — e deve ser feito por quem sabe, porque exige verificar antes se a instalação não tem fuga.
Condutores
A bitola (seção) se mede em mm² e é escolhida pela corrente que vai passar, pela distância e pela forma de instalação. Fio fino demais aquece, derrete a isolação e incendeia.
Seções mínimas da NBR 5410, independentemente do cálculo: 1,5 mm² para iluminação e 2,5 mm² para tomadas. Tomadas de uso específico de maior carga (chuveiro, forno) pedem 4,0 mm² ou 6,0 mm², conforme o dimensionamento.
Fio rígido (um único filamento) é usado dentro de eletroduto; cabo flexível (vários filamentos) é usado onde há movimento e em quadros.
Quem dimensiona o disjuntor é o fio, não o aparelho. Trocar um disjuntor de 20 A por um de 32 A porque "vive desarmando" sem trocar o cabo é retirar a proteção do fio — o disjuntor deixa de desarmar e o fio passa a aquecer até falhar.
Disjuntor desarmando é sintoma, e todo sintoma tem causa: sobrecarga (aparelhos demais no circuito), curto-circuito, ou aparelho com defeito. Investigue; não aumente.
Atividade prática
Liste dez aparelhos da sua casa, anote a potência em watts que está na etiqueta de cada um e calcule a corrente em ampères na tensão da sua região. Depois some os que ficam ligados ao mesmo tempo num único cômodo e compare com o disjuntor daquele circuito. Você vai descobrir rapidamente onde está o circuito mais carregado da casa.
Módulo 3 de 5
A NBR 5410 na prática: circuitos, pontos e o quadro
A NBR 5410 é a norma brasileira de instalações elétricas de baixa tensão. Ela não é sugestão: é o que define se a instalação está certa, e é o que o perito lê quando alguma coisa pega fogo.
Dividir em circuitos
Uma casa não tem um circuito só. A norma manda dividir, e a divisão serve a três coisas: limitar a corrente em cada trecho, permitir desligar uma parte sem apagar a casa inteira, e facilitar achar defeito.
Iluminação e tomadas em circuitos separados. Regra básica: se cair o circuito das tomadas, você ainda enxerga.
TUG (tomadas de uso geral): tomadas comuns. Um circuito de 16 A alimenta tipicamente até seis tomadas de 10 A.
TUE (tomadas de uso específico):circuito exclusivo para cada aparelho de carga alta — acima de cerca de 600 W. Chuveiro, torneira elétrica, ar-condicionado, forno elétrico, máquina de lavar, micro-ondas. Cada um no seu disjuntor, com o seu cabo.
Circuito de iluminação com número limitado de pontos.
Cozinha e área de serviço merecem circuitos próprios e generosos: é onde estão os aparelhos que mais puxam corrente.
Quantos pontos por cômodo
A NBR 5410 estabelece mínimos, e "mínimo" é mínimo mesmo — na prática, vale prever mais:
Ambiente
Mínimo
Cômodo de até 6 m²
Pelo menos 1 tomada.
Cômodo acima de 6 m²
Pelo menos 1 tomada a cada 5 m de perímetro, distribuídas.
Cozinha, copa e área de serviço
Pelo menos 1 tomada a cada 3,5 m de perímetro, com no mínimo 2 acima da bancada.
Banheiro
Pelo menos 1 tomada junto ao lavatório, respeitando a distância mínima de segurança em relação ao box e ao ponto de água.
Iluminação
Pelo menos 1 ponto de luz no teto por cômodo, comandado por interruptor.
Alturas usuais: interruptor por volta de 1,10 m a 1,35 m do piso; tomada baixa a cerca de 30 cm; tomada de bancada acima de 1,10 m; tomada de área molhada fora da projeção do chuveiro.
O padrão de tomada
O Brasil adota o padrão da NBR 14136: plugue e tomada de três pinos redondos, em duas versões, 10 A e 20 A, com o pino de 20 A mais grosso.
O terceiro pino é o terra, e ele existe para proteger. Quebrar o pino terra para caber na tomada velha é retirar a proteção do aparelho e da pessoa.
Nunca use adaptador "benjamim" em aparelho de carga alta: ele vira ponto quente e derrete.
Tomada sem terra em instalação antiga não se resolve ligando o terra no neutro. Essa prática é proibida e perigosa: se o neutro romper, a carcaça do aparelho fica energizada.
Aterramento: o que é e por que existe
O condutor de proteção liga as partes metálicas dos aparelhos a um eletrodo de aterramento enterrado no solo (a haste). Quando um fio vivo encosta na carcaça de uma geladeira, por exemplo, a corrente encontra um caminho fácil para a terra — e isso faz o disjuntor ou o DR desarmar, em vez de esperar que alguém encoste na geladeira e vire o caminho.
Por isso: aterramento e DR trabalham juntos, e um não substitui o outro. Instalação sem terra deixa o DR menos eficaz, e terra sem DR deixa passar situações que só o DR detecta.
Projetar e executar aterramento de uma casa inteira, e converter uma instalação antiga sem terra, é serviço de profissional habilitado, com medição de resistência — não é improviso de haste enfiada no jardim.
O quadro, na prática
Localização acessível, nunca dentro de armário fechado a chave, atrás de móvel ou em banheiro.
Espaço de reserva para circuitos futuros.
Identificação de cada disjuntor, com etiqueta legível. Esse é o item mais ignorado e o mais útil.
Organização: geral, DPS, DR e os disjuntores dos circuitos, com os cabos bem presos e as cores respeitadas.
Aperto correto dos bornes: conexão frouxa aquece, e conexão mal apertada é a causa número um de incêndio de origem elétrica. Ponto que esquenta ou escurece é sinal de urgência.
Atividade prática
Faça o levantamento de uma cozinha real: meça o perímetro, calcule o mínimo de tomadas pela norma, liste os aparelhos com potência acima de 600 W que precisariam de circuito exclusivo, e desenhe como ficaria a divisão de circuitos. Compare com a instalação que existe hoje ali.
Módulo 4 de 5
Executando: eletroduto, fiação, tomadas, interruptores e chuveiro
Agora a parte prática. Tudo aqui pressupõe o circuito desligado, travado e testado — o Módulo 1 vale em cada linha deste.
Infraestrutura
Eletroduto protege o cabo e permite trocá-lo depois. Use os curvas próprias — curva feita com calor amassa a parede interna e prende o fio.
Não encha o eletroduto. Deixe folga para que o cabo passe e possa ser trocado. Duto lotado esquenta e não deixa manutenção.
Rasgo na alvenaria: prefira sempre vertical. Rasgo horizontal longo enfraquece muito a parede — e em bloco estrutural não se rasga.
Caixas de passagem em pontos estratégicos. Emenda só dentro de caixa, nunca enterrada na parede ou dentro do eletroduto.
Passagem do cabo: guia de passagem, com talco ou lubrificante próprio. Nunca puxe com força bruta — cabo esticado demais fica com a isolação danificada.
Deixe sobra de cabo em cada caixa, uns 15 cm, para facilitar a conexão e futuras manutenções.
Emendas e conexões
Desencape só o necessário, com alicate desencapador, sem ferir o cobre. Fio com corte no filamento aquece ali.
Emenda bem feita: condutores limpos, torcidos firmemente com o alicate, e isolados com fita de boa qualidade sobrepondo bem, ou com conector apropriado.
Conector de derivação e borne são melhores que emenda torcida, e são o padrão hoje.
Terminal prensado em cabo flexível que vai a parafuso — filamento solto no borne é ponto quente.
Aperte bem. A maior parte dos problemas elétricos residenciais é conexão frouxa, não fio queimado.
Nunca emende dentro do eletroduto e nunca deixe emenda sem caixa.
Tomada e interruptor simples
Tomada: fase e neutro nos dois contatos e o terra no contato central (o pino do meio do padrão brasileiro). Confira a polaridade e respeite as cores.
Interruptor simples: ele interrompe a fase — nunca o neutro. A fase entra no interruptor, sai pelo retorno até a lâmpada; o neutro vai direto da caixa até a lâmpada. Interruptor ligado no neutro deixa a lâmpada energizada mesmo desligada, e quem for trocá-la leva choque.
Interruptor paralelo (three-way): comanda uma lâmpada de dois pontos, como nas duas pontas de um corredor ou de uma escada. Usa dois interruptores de três contatos ligados entre si por dois condutores de "correspondência"; a fase entra em um e o retorno sai do outro. Com intermediário (four-way) no meio, comanda-se de três ou mais pontos.
Chuveiro elétrico
É o aparelho que mais puxa corrente numa casa e o que mais causa acidente. As regras:
Circuito exclusivo, com disjuntor próprio e cabo dimensionado para a potência. Chuveiro nunca divide circuito com tomada.
Confira a tensão do aparelho (127 V ou 220 V) e a chave de seleção de potência. Ligar um chuveiro de 127 V em 220 V queima na hora; o contrário aquece pouco e puxa corrente errada.
DR obrigatório no circuito, conforme a NBR 5410.
Aterramento ligado — chuveiro tem carcaça metálica ou partes condutoras e água corrente ao mesmo tempo.
Conexão dentro do próprio chuveiro, com terminais apertados e a tampa fechada. Nada de emenda pendurada com fita acima do box.
Nunca troque a resistência com o disjuntor ligado. Parece óbvio e é o acidente doméstico clássico.
Chuveiro que dá "choquinho" não é normal: é fuga de corrente, é sinal de falta de aterramento ou de DR, e precisa ser resolvido antes do próximo banho.
Quando a casa é antiga
Em instalação antiga você vai encontrar: fio com isolação ressecada e rachando, ausência de terra, emenda enterrada na parede, fiação de alumínio, quadro com fusível, disjuntor superdimensionado e circuito único para a casa inteira.
A conduta honesta é dizer o que você encontrou e explicar que remendar ponto a ponto não resolve. Reforma elétrica completa é serviço com projeto e profissional habilitado. Oferecer um remendo barato em instalação nessas condições é vender um risco — e o risco, depois, tem o seu nome.
Atividade prática
Desenhe, no papel, o esquema de ligação de: (1) uma lâmpada com interruptor simples; (2) uma lâmpada comandada por dois interruptores paralelos; (3) uma tomada com terra. Marque em cada desenho qual fio é fase, qual é neutro, qual é retorno e qual é proteção, com as cores corretas da NBR 5410.
Módulo 5 de 5
Achar defeito, economizar energia e viver da profissão
O serviço que mais se paga bem em elétrica residencial não é instalar: é achar. Quem sabe diagnosticar rápido cobra pelo conhecimento, não pelas horas.
O multímetro
Tensão (V∼): ponteiras entre fase e neutro. Em 127 V ou 220 V, conforme a região. Entre fase e terra deve dar praticamente o mesmo valor que entre fase e neutro; entre neutro e terra, um valor muito baixo.
Continuidade: com o circuito desligado, apita quando há caminho fechado. É como se testa fio rompido, fusível, resistência e interruptor.
Resistência (Ω): também com o circuito desligado. Resistência de chuveiro queimada dá leitura aberta.
Corrente com alicate amperímetro: abraça um único condutor e mede quanto está passando, com o circuito ligado. É como se descobre sobrecarga.
Regra de ouro: teste o instrumento antes e depois, num ponto que você sabe que tem energia.
Defeitos comuns e o caminho do diagnóstico
Sintoma
Causas prováveis
Disjuntor desarma sempre no mesmo horário
Sobrecarga: algum aparelho de alta potência entra nesse horário. Meça a corrente com o alicate.
Disjuntor desarma na hora de ligar
Curto-circuito. Desligue tudo do circuito e religue um a um.
DR desarma
Fuga de corrente. Muito comum em chuveiro com resistência furada, em aparelho velho ou em fiação com umidade. Teste desligando um aparelho por vez.
Luz piscando ou oscilando
Conexão frouxa, driver de LED com defeito, ou problema no neutro. Conexão frouxa é a mais comum.
Tomada não funciona
Conexão frouxa na própria tomada, fio rompido, ou disjuntor daquele circuito desarmado.
Aparelho dando "choquinho"
Fuga para a carcaça, sem terra. É urgente.
Cheiro de queimado ou ponto quente
Desligue imediatamente. Conexão frouxa ou condutor subdimensionado. Isso é pré-incêndio.
Lâmpadas queimando demais
Tensão alta, oscilação da rede, ou luminária fechada superaquecendo a lâmpada.
O método é sempre o mesmo: divida o problema. Desligue metade, veja se o sintoma some, e vá estreitando. Diagnóstico é eliminação, não adivinhação.
Economia de energia, que é o que o cliente pergunta
O chuveiro elétrico é o maior consumidor da maioria das casas brasileiras, seguido de ar-condicionado, geladeira e ferro de passar. Banho mais curto e a chave na posição "verão" reduzem a conta mais do que qualquer outra medida.
LED consome muito menos que incandescente e que fluorescente, e dura muito mais.
Geladeira: borracha da porta vedando, afastada da parede, longe do fogão e do sol, e não forrar as prateleiras.
Ar-condicionado: filtro limpo, portas fechadas, temperatura moderada. Modelo inverter consome menos em uso longo.
Aparelho em espera consome pouco cada um, mas soma. Régua com chave resolve.
Selo Procel na compra é a informação mais útil para o consumidor.
Fuga de corrente também aparece na conta. Conta que subiu sem explicação merece investigação — e é um ótimo serviço para oferecer.
O lado do negócio
Cobre a visita de diagnóstico. O seu conhecimento é o produto; se o orçamento for aprovado, desconte a visita. Quem não cobra vira consultor gratuito da vizinhança.
Orçamento escrito, com o que está incluído, o que não está, material por conta de quem, prazo e forma de pagamento.
Fotografe o quadro e os pontos antes e depois. Serve de portfólio e de prova.
Deixe o quadro identificado e entregue ao cliente um desenho simples do que foi feito. Nenhum concorrente faz isso, e é lembrado.
Parcerias com pedreiro, pintor, encanador, síndico, arquiteto e loja de material trazem serviço constante.
Emergência se cobra diferente — noite, fim de semana e feriado têm outro valor, dito antes de sair de casa.
Formação continuada: NR-10 pelo empregador, curso técnico em eletrotécnica ou eletroeletrônica, e cursos de automação residencial, energia solar fotovoltaica e ar-condicionado. São as áreas que mais crescem e as que mais pagam.
Voltando ao começo
Repetindo o que abre este curso: aqui você aprendeu noções de instalações elétricas residenciais. Este certificado não é o treinamento da NR-10, não habilita a assinar projeto ou responsabilidade técnica, e não autoriza trabalhar no padrão de entrada, no medidor ou na rede da concessionária.
Se alguém lhe oferecer esse tipo de serviço com base neste certificado, a oferta é irregular. Saber a diferença protege a sua vida, a de quem mora na casa e a sua ficha.
Atividade prática
Monte o seu roteiro de diagnóstico para um chamado de "o disjuntor fica desarmando": escreva, em ordem, as perguntas que você faria ao cliente por telefone e os passos que você seguiria no local, do mais simples ao mais trabalhoso. Depois escreva o modelo do seu orçamento, com a linha da visita técnica.
Para saber mais
ABNT NBR 5410 — Instalações elétricas de baixa tensão. É a norma central da profissão.
ABNT NBR 14136 — padrão brasileiro de plugues e tomadas; NBR 5419 — proteção contra descargas atmosféricas.
NR-10 — Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade, e NR-35 — Trabalho em Altura.
As normas da distribuidora de energia da sua região para o padrão de entrada.
Selo Procel e o Inmetro, para eficiência energética.
Portal do Empreendedor, para o MEI.
Cursos "Noções de NR-10: Eletricidade", "Noções de NR-35: Trabalho em Altura", "Pedreiro e Alvenaria", "Hidráulica Básica", "Primeiros Socorros no Dia a Dia" e "Empreendedorismo e MEI", aqui no Cursos Conecta.
Avaliação final
Avaliação final
São 15 questões sobre os 5 módulos. Para ser aprovado(a) e poder emitir o certificado, você precisa acertar pelo menos 11. Você pode refazer a prova quantas vezes quiser.