Escala e projeções, SIRGAS 2000 e UTM, sensoriamento remoto, SIG com QGIS e dados gratuitos do IBGE e do INPE: 5 módulos de leitura com atividades práticas, mais a avaliação final
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Módulo 1 de 5
Fundamentos: escala, coordenadas e projeções
Todo mapa mente. Não por má-fé: porque é impossível representar uma superfície curva num plano sem deformar alguma coisa. O trabalho do cartógrafo não é eliminar a deformação — é escolher qual deformação aceitar, em função do que o mapa precisa mostrar. Entender isso é o começo da cartografia.
Escala
Escala é a relação entre a distância no mapa e a distância real. Escreve-se 1:50.000, o que significa que 1 cm no papel corresponde a 50.000 cm — isto é, 500 m — no terreno.
Escala
Chamada de
1 cm no mapa equivale a
Serve para
1:1.000 a 1:10.000
Grande escala
10 m a 100 m
Planta de lote, cadastro urbano, projeto
1:25.000 a 1:100.000
Média escala
250 m a 1 km
Carta topográfica, município
1:250.000 a 1:1.000.000
Pequena escala
2,5 km a 10 km
Estado, região, bioma
Acima de 1:1.000.000
Muito pequena
Mais de 10 km
País, continente, mundo
A confusão que todo mundo faz
Escala grande mostra área pequena com muito detalhe. Escala pequena mostra área grande com pouco detalhe.
Parece invertido, mas é só matemática: a escala é uma fração. 1:1.000 é 1/1.000, que é um número maior que 1/1.000.000. Logo, 1:1.000 é escala grande.
O jeito de nunca mais errar: pense no denominador. Denominador pequeno, escala grande, detalhe grande. Um mapa 1:1.000 mostra o seu quarteirão; um mapa 1:10.000.000 mostra o Brasil inteiro numa página.
Além da escala numérica, existe a escala gráfica — aquela barrinha com medidas. Ela tem uma vantagem prática importante: continua correta mesmo depois que alguém amplia ou reduz o mapa na fotocopiadora, o que invalida a escala numérica.
Coordenadas geográficas
Latitude — distância angular em relação ao Equador, de 0° a 90°, para Norte ou Sul. As linhas de mesma latitude são os paralelos; o maior deles é o Equador.
Longitude — distância angular em relação ao Meridiano de Greenwich, de 0° a 180°, para Leste ou Oeste. As linhas de mesma longitude são os meridianos, todos do mesmo tamanho.
As coordenadas podem vir em três formatos, e converter entre eles é tarefa diária:
Formato
Exemplo
Graus, minutos e segundos (GMS)
10° 53' 07" S 61° 57' 04" O
Graus e minutos decimais
10° 53,117' S 61° 57,067' O
Graus decimais
-10,885278 -61,951111
Para converter de GMS para graus decimais: divida os minutos por 60, os segundos por 3.600, some aos graus — e coloque sinal negativo para Sul e para Oeste. Praticamente todo o Brasil tem latitude e longitude negativas em graus decimais, e esse é o formato que os programas de SIG usam.
Projeções cartográficas
Projetar é transferir a superfície da Terra para um plano. Como a esfera não é "planificável", toda projeção distorce ao menos uma propriedade. Classificam-se pelo que conservam:
Tipo
Conserva
Distorce
Usar quando
Conforme
Os ângulos e a forma local
As áreas
Navegação, cartas topográficas, mapas de rota
Equivalente
As áreas proporcionais
As formas
Mapas temáticos de distribuição: população, desmatamento, produção
Equidistante
As distâncias, em certas direções
Áreas e formas
Mapas de alcance e de rotas a partir de um ponto
Afilática
Nenhuma plenamente
Distribui o erro
Mapas-múndi gerais, de uso didático
E classificam-se também pela superfície de projeção: cilíndrica, cônica e plana ou azimutal.
Mercator, Peters e a política dos mapas
A projeção de Mercator, de 1569, é cilíndrica e conforme. Foi feita para navegação, e para isso é excelente: nela, uma linha reta é uma rota de rumo constante. O preço é a distorção crescente das áreas em direção aos polos — na imagem de Mercator, a Groenlândia parece do tamanho da África, embora a África tenha cerca de catorze vezes a área da Groenlândia.
A projeção de Peters, divulgada nos anos 1970, é cilíndrica e equivalente: mantém as proporções de área e, por isso, mostra os países tropicais com o tamanho que de fato têm — ao custo de alongar as formas.
A discussão virou símbolo porque mostra o que o curso inteiro quer ensinar: nenhuma projeção é neutra, e a escolha comunica alguma coisa. Mas vale a honestidade técnica — Mercator não foi feita para ser mapa-múndi de parede, e o problema não é a projeção, é o uso errado dela. Para mapa temático de distribuição, use equivalente; para navegação, conforme.
Uma boa atividade: peça à turma que compare a Groenlândia e a África nos dois mapas, e depois confira as áreas reais nos dados do IBGE e de órgãos internacionais.
Módulo 2 de 5
Datum, SIRGAS 2000 e o sistema UTM
Este é o módulo que separa quem abre um mapa de quem trabalha com dados espaciais. A coordenada sozinha não quer dizer nada: ela só tem sentido dentro de um sistema de referência. Ignorar isso é a causa número um de erro em trabalho de SIG — e desloca pontos em dezenas de metros.
Datum: o ponto de partida
A Terra não é uma esfera perfeita nem um elipsoide perfeito: é um geoide, com forma irregular. Para calcular coordenadas, adota-se um elipsoide de referência e define-se como ele se encaixa na Terra real. Esse conjunto é o datum geodésico.
Datum topocêntrico — o elipsoide é ajustado para se encaixar bem numa região específica, com o ponto de origem na superfície. Foi o modelo antigo: cada país ou continente tinha o seu.
Datum geocêntrico — o centro do elipsoide coincide com o centro de massa da Terra. É o que o posicionamento por satélite exige, porque o satélite orbita em torno desse centro.
SIRGAS 2000: o oficial do Brasil
O SIRGAS 2000 — Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas — é o sistema geodésico de referência oficial do Brasil.
A transição foi longa e tem datas que caem em concurso: o período em que se admitia o uso do SIRGAS 2000 junto com o SAD 69 e o Córrego Alegre foi de 25 de fevereiro de 2005 a 25 de fevereiro de 2015. Desde 25 de fevereiro de 2015, por resolução do IBGE, ele é o único sistema oficial.
O SAD 69 e o Córrego Alegre eram topocêntricos; o SIRGAS 2000 é geocêntrico. E aqui está a parte prática: a mesma coordenada expressa em SAD 69 e em SIRGAS 2000 aponta para lugares diferentes — o deslocamento é da ordem de 65 metros, em média, variando conforme o ponto.
Sessenta e cinco metros é a diferença entre estar dentro ou fora de uma APP, de um lote, de uma área de preservação. Por isso a conversão nunca se faz "no olho": usa-se o ProGriD, do IBGE, ou os parâmetros oficiais.
A regra de ouro do trabalho com dados espaciais: antes de usar qualquer arquivo, verifique em que sistema de referência ele está. Camadas em sistemas diferentes empilhadas no mesmo projeto produzem mapas errados que parecem certos.
O sistema UTM
Coordenadas geográficas são ótimas para localizar e péssimas para medir: um grau de longitude vale cerca de 111 km no Equador e zero no polo. Para calcular distância e área, usa-se um sistema projetado, em metros. O mais comum é o UTM — Universal Transversa de Mercator.
O mundo é dividido em 60 fusos de 6° de longitude cada, numerados de 1 a 60 a partir da antimeridiana de Greenwich.
Cada fuso tem seu próprio meridiano central, e a projeção é cilíndrica transversa e conforme.
As coordenadas são dadas em metros: E (este) e N (norte).
Para evitar valores negativos, adota-se uma falsa origem: 500.000 m no meridiano central, e, no hemisfério Sul, 10.000.000 m no Equador.
O Brasil ocupa oito fusos, do 18 ao 25.
A consequência prática: uma coordenada UTM só faz sentido se vier acompanhada do fuso e do hemisfério. "E 650.000, N 8.795.000" não localiza nada sozinho — pode estar em qualquer um dos 60 fusos.
E a limitação: não se calcula distância entre dois pontos em fusos diferentes usando UTM direto. Para área de estudo que cruza fuso, escolhe-se outra projeção — cônica equivalente de Albers é a usual para o Brasil inteiro.
Códigos EPSG
Cada combinação de datum e projeção tem um código numérico padronizado, chamado EPSG. É assim que os programas identificam o sistema sem ambiguidade. Os que você mais vai usar no Brasil:
EPSG
O que é
4674
SIRGAS 2000 — coordenadas geográficas, em graus
4326
WGS 84 — o do GPS e da maioria dos dados globais
31978 a 31985
SIRGAS 2000 / UTM, fusos 18S a 25S — em metros
4618
SAD 69 — aparece em dados antigos; exige conversão
Na prática, SIRGAS 2000 e WGS 84 são compatíveis para a maior parte dos usos em escala média e pequena, com diferença centimétrica. Já SAD 69 e SIRGAS 2000 não são — ali estão os 65 metros.
Checklist antes de abrir qualquer dado
Qual o sistema de referência? Procure o arquivo .prj que acompanha o shapefile, ou veja as propriedades da camada.
Está declarado ou foi assumido? Programa que "adivinha" o sistema erra. Se não há .prj, descubra na documentação do produtor.
Vou medir área ou distância? Se sim, reprojete para um sistema em metros adequado à sua região.
Minhas camadas estão todas no mesmo sistema? Se não, reprojete antes de cruzar.
Qual a escala de origem do dado? Um limite municipal feito em 1:250.000 não serve para discutir um lote.
Esse último item é o mais ignorado: ampliar um dado de pequena escala na tela não cria precisão que ele nunca teve.
Módulo 3 de 5
Sensoriamento remoto e imagens de satélite
Sensoriamento remoto é obter informação sobre um objeto sem tocá-lo — no caso, medindo a radiação eletromagnética que a superfície reflete ou emite. É o que permite acompanhar desmatamento, queimada, seca e expansão urbana sem sair do lugar, com dados gratuitos.
Como funciona
O Sol emite radiação; a superfície terrestre reflete parte dela, de modo diferente conforme o material. Vegetação, água, solo exposto e asfalto têm assinaturas espectrais distintas — refletem quantidades diferentes em cada faixa do espectro. O sensor a bordo do satélite mede essas quantidades, faixa por faixa, e cada faixa vira uma banda da imagem.
Um fato que organiza quase tudo: a vegetação sadia absorve muito no vermelho visível, porque a clorofila usa essa luz, e reflete muito no infravermelho próximo. Essa diferença é a base dos índices de vegetação.
As quatro resoluções
Resolução
O que significa
Exemplo
Espacial
Tamanho do menor objeto distinguível — o tamanho do pixel no terreno
30 m no Landsat; 10 m no Sentinel-2
Espectral
Número e largura das bandas
Sensor com 13 bandas distingue mais que um com 4
Temporal
De quanto em quanto tempo o satélite revisita o mesmo ponto
16 dias no Landsat; cerca de 5 dias com o par Sentinel-2
Radiométrica
Quantos níveis de intensidade o sensor registra
8 bits dá 256 níveis; 12 bits dá 4.096
Não existe sensor bom em tudo: em geral, quanto melhor a resolução espacial, pior a temporal e menor a área coberta por cena. A escolha depende da pergunta — monitorar queimada diária pede resolução temporal; delimitar um lote pede espacial.
Composições coloridas
O olho humano vê três canais. Para visualizar uma imagem de satélite, escolhem-se três bandas e associa-se cada uma a vermelho, verde e azul:
Cor verdadeira — as bandas do vermelho, verde e azul nos canais correspondentes. A imagem parece uma fotografia.
Falsa-cor — a mais usada em análise ambiental coloca o infravermelho próximo no canal vermelho. O resultado: a vegetação sadia aparece em vermelho vivo, água em preto ou azul escuro, solo exposto e área urbana em tons de ciano e cinza.
É por isso que tanta imagem de satélite de reportagem ambiental aparece com florestas vermelhas — não é erro, é falsa-cor, e ela distingue vegetação muito melhor que a cor verdadeira.
NDVI: o índice que todo mundo usa
O NDVI, Índice de Vegetação por Diferença Normalizada, combina duas bandas:
NDVI = (IVP − V) / (IVP + V)
onde IVP é a reflectância no infravermelho próximo e V no vermelho. O resultado varia de −1 a +1:
Valores negativos — água, nuvem, neve.
Perto de zero — solo exposto, rocha, área construída.
De 0,2 a 0,4 — vegetação rala, pastagem degradada, cultura no início.
Acima de 0,6 — vegetação densa e vigorosa.
Com duas imagens do mesmo lugar em datas diferentes e um NDVI em cada, você enxerga perda de vegetação sem precisar de nada além do QGIS e de dados gratuitos. É um exercício de aula perfeitamente viável, e é também como boa parte do monitoramento oficial começa.
Os satélites e os dados gratuitos
Fonte
O que oferece
Landsat (EUA)
A série mais longa do mundo, desde os anos 1970 — insubstituível para comparar décadas. Resolução de 30 m
Sentinel (Europa)
Sentinel-2 com 10 m e revisita frequente; Sentinel-1 com radar, que enxerga através de nuvem
CBERS e Amazônia-1 (Brasil e China)
Programa brasileiro, com catálogo gratuito no INPE
MODIS e VIIRS
Resolução espacial baixa e temporal diária — base dos alertas de queimada
Para o Brasil, três plataformas resolvem a maior parte do trabalho de graça:
INPE — catálogo de imagens, o PRODES (taxa anual de desmatamento), o DETER (alertas quase em tempo real), o programa de queimadas e o portal TerraBrasilis.
MapBiomas — série anual de uso e cobertura da terra para todo o Brasil, com dados abertos e ferramenta de consulta por município.
IBGE — malhas territoriais, bases cartográficas contínuas, mapas de biomas e dados dos censos.
Com esses três e o QGIS, um estudante consegue fazer um TCC de geoprocessamento sem gastar nada — e é exatamente o que se espera de quem sai da graduação hoje.
Módulo 4 de 5
Sistemas de Informação Geográfica
Um SIG não é um programa de fazer mapa bonito: é um banco de dados em que cada registro tem uma posição no espaço. É isso que permite perguntar coisas que uma planilha não responde — quantas escolas estão a menos de 500 metros de uma área de risco, quanto da bacia está desmatado, quais lotes a nova avenida atinge.
Os dois modelos de dado
Vetor
Raster
O que é
Pontos, linhas e polígonos, com coordenadas exatas
Imagem de satélite, altitude, temperatura — fenômenos contínuos
Tem tabela de atributos
Sim, uma linha por feição
Não; o valor está no próprio pixel
Ao ampliar
Mantém a nitidez
Vira quadradinho
Formatos comuns
Shapefile (.shp), GeoPackage (.gpkg), GeoJSON
GeoTIFF (.tif)
Shapefile não é um arquivo só
Erro clássico de quem começa: enviar por e-mail só o arquivo .shp e o colega reclamar que não abre.
O shapefile é um conjunto de arquivos com o mesmo nome e extensões diferentes. Os três obrigatórios:
.shp — as geometrias
.shx — o índice
.dbf — a tabela de atributos
E o quase obrigatório: .prj, que guarda o sistema de referência. Sem ele, o programa não sabe onde o dado está e você volta ao problema do Módulo 2.
Por isso o formato GeoPackage vem substituindo o shapefile: é um arquivo único, aceita nomes de campo longos, não tem limite de tamanho prático e guarda várias camadas juntas. Se você está começando agora, comece por ele.
O QGIS
O QGIS é um SIG livre e gratuito, multiplataforma, mantido por uma comunidade internacional. Faz praticamente tudo o que os programas pagos fazem e é hoje o padrão no ensino e em boa parte das prefeituras brasileiras. Não há razão para um estudante de Geografia se formar sem saber usá-lo.
A lógica de trabalho é a de camadas empilhadas: cada conjunto de dados é uma camada, elas se sobrepõem numa ordem que você controla, e cada uma tem sua própria simbologia e sua própria tabela.
As operações que resolvem a maior parte dos problemas
Operação
O que faz
Exemplo de uso
Buffer
Cria uma área a uma distância definida de uma feição
Faixa de 30 m ao longo do rio, para delimitar APP
Recortar (clip)
Corta uma camada pelo limite de outra
Extrair só o trecho da rodovia dentro do município
Interseção
Mantém só o que é comum a duas camadas
Que parte da reserva legal está dentro da APP
União e dissolver
Junta camadas ou funde polígonos vizinhos
Agregar setores censitários em bairros
Junção por atributo
Liga uma planilha à camada por um campo comum
Levar dados do IBGE para a malha municipal pelo código do município
Junção espacial
Liga camadas pela posição, não por campo
Descobrir em que bairro cai cada ocorrência registrada
Calculadora de campo
Cria ou calcula colunas na tabela
Calcular área em hectares, densidade, percentual
Álgebra de mapas
Operações matemáticas entre rasters
Calcular o NDVI a partir de duas bandas
Um projeto completo, do zero, em uma tarde
Pergunta: quanto da área urbana do meu município está a menos de 100 metros de um curso d'água?
Baixe do IBGE a malha municipal e a base cartográfica contínua com a hidrografia.
No QGIS, confira o sistema de referência das duas camadas e reprojete para SIRGAS 2000 / UTM do fuso do seu município — porque você vai medir área.
Recorte a hidrografia pelo limite do município.
Gere um buffer de 100 m nos cursos d'água.
Intersecte o buffer com a mancha urbana.
Na calculadora de campo, calcule a área do resultado em hectares e divida pela área urbana total.
Monte o layout de impressão com todos os elementos do Módulo 5.
Pronto: um mapa e um número, com dado oficial e método reproduzível. É o esqueleto de um capítulo de TCC, e dá para repetir trocando a pergunta — escolas perto de área de risco, população a mais de 2 km de um posto de saúde, pastagem sobre APP.
Módulo 5 de 5
Produzindo o mapa final
A análise pode estar certa e o mapa, errado. Este módulo é sobre a última etapa — transformar o resultado numa peça que outra pessoa entenda, confie e consiga reproduzir.
Os elementos que todo mapa precisa ter
Elemento
Por quê
Título
Diz o quê, onde e quando. "Uso da terra no município de X, 2024" — não apenas "Mapa 1"
Legenda
Explica toda cor e todo símbolo usado. Sem ela o mapa é decoração
Escala
Numérica e, de preferência, gráfica também
Orientação
A seta do Norte. Se o mapa está com o Norte para cima, ainda assim se declara
Sistema de referência
"SIRGAS 2000 / UTM 20S". Sem isso, ninguém reproduz o seu trabalho
Fonte dos dados
Quem produziu e de que ano. É o item mais esquecido e o mais importante
Autoria e data
Quem elaborou e quando
Mapa de localização
Um encarte mostrando onde fica a área no estado ou no país
Os erros que derrubam mapa em banca
Mapa sem fonte do dado. A pergunta vem na hora: de onde você tirou isso? Sem resposta, a análise inteira fica sob suspeita.
Escala numérica que não corresponde ao tamanho impresso. Use a escala gráfica, que sobrevive a redimensionamento.
Dado de uma escala usado em outra. Limite municipal levantado em 1:250.000 não resolve conflito de lote.
Camadas em sistemas diferentes empilhadas sem reprojeção. O mapa sai bonito e deslocado.
Cor sem lógica. Para variável que vai de menos a mais, use uma única cor em tons crescentes — não um arco-íris. Arco-íris é para categorias, não para quantidade.
Mapa de quantidade total colorido por município. Município grande parece ter mais só porque é grande. Para comparar, use densidade ou percentual, não valor absoluto.
Só vermelho e verde, que parte considerável das pessoas não distingue. Varie também o tom e a saturação.
Legenda com nome de campo de banco: "NM_MUN", "pop_tot_2022". Renomeie para linguagem humana.
Escolhendo a representação certa
Se o dado é
Use
Categoria sem ordem (tipo de uso da terra)
Cores distintas, sem hierarquia
Quantidade relativa por área (densidade, percentual)
Coroplético — tons crescentes de uma cor
Quantidade absoluta localizada (população por cidade)
Símbolo proporcional — círculos de tamanhos diferentes
Fluxo entre lugares (migração, comércio)
Setas de espessura proporcional
Concentração de ocorrências
Mapa de calor ou de pontos
Altitude
Hipsometria, com a convenção de verde nas baixas e marrom nas altas
Onde conseguir os dados, de graça
IBGE — malhas territoriais de municípios, distritos e setores censitários; base cartográfica contínua; mapas de biomas; dados dos censos; e o ProGriD para conversão de datum.
INPE — catálogo de imagens CBERS e Amazônia; PRODES, DETER, queimadas e o portal TerraBrasilis.
MapBiomas — uso e cobertura da terra, série anual, por município.
ANA — hidrografia, bacias, outorgas e dados de monitoramento.
Embrapa — solos e aptidão agrícola.
SICAR — Cadastro Ambiental Rural, com os perímetros declarados dos imóveis rurais.
OpenStreetMap — ruas, edificações e pontos de interesse, com licença aberta.
Prefeituras e órgãos estaduais — muitos têm portal de dados abertos com o que não existe em escala nacional.
Como citar um dado espacial
Na legenda do mapa, abaixo dele, e nas referências do trabalho:
Fonte: IBGE. Malha Municipal Digital do Brasil, 2024. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Escala 1:250.000. Disponível em: <endereço>. Acesso em: [data].
Inclua sempre três coisas que todo mundo esquece: a escala de origem do dado, o ano a que ele se refere (que pode ser diferente do ano de publicação) e a data de acesso, porque bases oficiais são atualizadas e substituídas.
Para saber mais
IBGE — página de posicionamento geodésico, com o SIRGAS 2000, o ProGriD e as normas de levantamento; manuais técnicos de cartografia.
INPE — tutoriais de sensoriamento remoto, catálogo de imagens, PRODES e DETER.
QGIS — documentação oficial e o Training Manual, ambos traduzidos para o português.
MapBiomas — mapas, estatísticas e material didático para escola.
Marcello Martinelli, sobre mapas temáticos; Lívia de Oliveira e Rosângela Doin de Almeida, sobre alfabetização cartográfica.
Cursos "Geografia Física do Brasil", "Ensino de Geografia: BNCC e sala de aula", "Geografia Urbana e Estatuto da Cidade" e "Excel do Básico ao Intermediário", aqui no Cursos Conecta.
Avaliação final
Avaliação final
São 15 questões sobre os 5 módulos. Para ser aprovado(a) e poder emitir o certificado, você precisa acertar pelo menos 11. Você pode refazer a prova quantas vezes quiser.