Entenda a Base Nacional Comum Curricular e planeje aulas a partir das habilidades: 6 módulos de leitura com atividades práticas, mais a avaliação final
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Módulo 1 de 6
O que é a BNCC
A Base Nacional Comum Curricular está presente nos planejamentos, nos livros didáticos, nas avaliações e nas conversas de toda escola brasileira. Neste módulo você vai entender o que ela é, de onde veio e, principalmente, o que ela não é.
Uma referência comum para o país
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo que define o conjunto de aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver ao longo da Educação Básica. Em outras palavras, ela diz o que toda criança e todo jovem brasileiro tem o direito de aprender em cada etapa, estude onde estudar: numa capital ou no interior, em escola pública ou particular.
A ideia central é a de equidade: garantir um patamar comum de aprendizagens, reduzindo as desigualdades entre redes, escolas e regiões.
De onde veio
A BNCC não surgiu do nada. Ela estava prevista em documentos anteriores:
A Constituição Federal de 1988, no artigo 210, já previa conteúdos mínimos para o Ensino Fundamental, de modo a assegurar formação básica comum.
A LDB (Lei nº 9.394/1996), no artigo 26, determina que os currículos tenham uma base nacional comum, a ser complementada por uma parte diversificada, de acordo com as características regionais e locais.
O Plano Nacional de Educação (Lei nº 13.005/2014) incluiu a construção de uma base nacional comum curricular entre suas estratégias.
Depois de versões preliminares, consultas públicas e audiências, a BNCC da Educação Infantil e do Ensino Fundamental foi homologada em dezembro de 2017, e a do Ensino Médio, em dezembro de 2018. Em 2022, recebeu um complemento sobre Computação, que você vai estudar no último módulo.
BNCC não é currículo
Essa é uma das confusões mais comuns. A BNCC diz aonde se quer chegar; o currículo diz como chegar lá, considerando a realidade de cada lugar.
Documento
Quem faz
O que define
BNCC
MEC e Conselho Nacional de Educação
As aprendizagens essenciais para todo o país.
Currículo da rede
Estados e municípios (com seus conselhos de educação)
Como as aprendizagens serão organizadas na rede, com conteúdos, exemplos e temas locais. Exemplo: o currículo do seu estado ou município.
Projeto Político-Pedagógico (PPP)
Cada escola, com sua comunidade
A identidade, os princípios e as escolhas pedagógicas da escola.
Planejamento do professor
Cada professor, com a equipe
As sequências, aulas, atividades e avaliações para a sua turma.
Por isso, na prática, o professor deve consultar o currículo da sua rede, que já foi elaborado a partir da BNCC e costuma trazer detalhamentos e conteúdos regionais. A BNCC é o ponto de partida; o currículo local é o mapa do caminho.
A parte diversificada
A BNCC não ocupa todo o tempo escolar. Cada rede e cada escola podem incluir conteúdos ligados à história, à cultura, à economia e ao ambiente da sua região: festas populares, línguas indígenas ou de imigração, a economia local, os problemas ambientais da cidade. Isso é a parte diversificada, que complementa a base comum.
Aprendizagens, e não só conteúdos
A BNCC muda o foco de "quais conteúdos ensinar" para "o que os estudantes devem saber e saber fazer". Em vez de listas de assuntos, ela apresenta competências e habilidades, que envolvem usar os conhecimentos para resolver problemas, argumentar, criar, conviver. Você vai aprofundar esses conceitos no próximo módulo.
Críticas e debates
A BNCC também recebe críticas de educadores e pesquisadores: há quem aponte o risco de padronizar demais o ensino, de estreitar o currículo em função das avaliações externas ou de usar uma linguagem pouco clara em algumas habilidades. Em 2026, especialistas debatem se o documento precisa de atualizações. Conhecer a BNCC a fundo é também o que permite analisá-la com senso crítico.
Para refletir
Antes deste módulo, você pensava na BNCC como um currículo ou como uma lista de conteúdos? O que muda no trabalho do professor quando se entende que a BNCC é uma referência e que o currículo é construído por cada rede?
Atividade prática
Descubra qual é o currículo oficial da rede de ensino da sua cidade ou do seu estado (procure no site da secretaria de educação). Anote o nome do documento, o ano de publicação e dê uma olhada em como ele está organizado. Verifique se ele traz conteúdos ou temas próprios da sua região.
Módulo 2 de 6
Competências gerais e temas contemporâneos
As dez competências gerais são o "coração" da BNCC: elas atravessam todas as etapas e todos os componentes. Neste módulo você vai entender o que é uma competência, conhecer as dez competências gerais e os temas contemporâneos transversais.
O que é competência
A BNCC define competência como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.
Um exemplo ajuda a entender: saber as regras de acentuação é um conhecimento. Escrever uma carta de reclamação clara e bem argumentada para a prefeitura, usando corretamente a língua, respeitando o interlocutor e defendendo o bem comum, é uma competência, porque junta conhecimentos, habilidades, atitudes e valores em uma situação real.
As dez competências gerais
Competência
Em poucas palavras
1. Conhecimento
Valorizar e usar os conhecimentos historicamente construídos para entender e explicar a realidade e continuar aprendendo.
2. Pensamento científico, crítico e criativo
Exercitar a curiosidade, investigar, levantar hipóteses, resolver problemas e criar soluções.
3. Repertório cultural
Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, locais e mundiais, e participar de práticas culturais.
4. Comunicação
Usar diferentes linguagens (verbal, corporal, visual, sonora, digital) para se expressar e partilhar informações, experiências e ideias.
5. Cultura digital
Compreender, usar e criar tecnologias digitais de forma crítica, significativa, reflexiva e ética.
6. Trabalho e projeto de vida
Valorizar a diversidade de saberes e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida.
7. Argumentação
Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, defendendo ideias que respeitem os direitos humanos e o meio ambiente.
8. Autoconhecimento e autocuidado
Conhecer-se, apreciar-se e cuidar da saúde física e emocional, reconhecendo suas emoções e as dos outros.
9. Empatia e cooperação
Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, respeitando a diversidade.
10. Responsabilidade e cidadania
Agir com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos e sustentáveis.
Os nomes curtos da tabela são usados em muitos materiais de formação para facilitar a memorização. O texto completo de cada competência está na introdução da BNCC e vale a leitura.
Competências no dia a dia
As competências gerais não são trabalhadas em uma aula específica: elas aparecem na forma como as aulas são organizadas. Veja como uma única proposta pode mobilizar várias competências:
Exemplo: a horta da escola
Uma turma do 4º ano decide recuperar a horta abandonada da escola. Os estudantes pesquisam quais plantas crescem melhor na região (competências 1 e 2), entrevistam uma agricultora do bairro (3 e 4), registram o crescimento das plantas em tabelas e fotos no computador (5), dividem as tarefas e resolvem os desentendimentos da equipe (9), discutem se devem ou não usar agrotóxicos, com base em informações confiáveis (7), e decidem doar parte da colheita para a merenda (10).
Temas contemporâneos transversais
A BNCC orienta que as redes e escolas incorporem aos currículos temas que afetam a vida das pessoas, de forma transversal e integradora, ou seja, atravessando os diferentes componentes, e não como uma disciplina à parte. Em 2019, o MEC organizou esses temas em seis macroáreas, com quinze temas:
Macroárea
Temas
Meio Ambiente
Educação Ambiental; Educação para o Consumo.
Economia
Trabalho; Educação Financeira; Educação Fiscal.
Saúde
Saúde; Educação Alimentar e Nutricional.
Cidadania e Civismo
Vida Familiar e Social; Educação para o Trânsito; Educação em Direitos Humanos; Direitos da Criança e do Adolescente; Processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso.
Multiculturalismo
Diversidade Cultural; Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras.
Ciência e Tecnologia
Ciência e Tecnologia.
Um mesmo projeto pode envolver vários temas. A horta do exemplo acima, por exemplo, trabalha Educação Ambiental, Educação Alimentar e Nutricional e Trabalho.
Para refletir
Qual das dez competências gerais você considera mais difícil de desenvolver na escola hoje? Por quê? E qual delas você percebe que já aparece com frequência nas aulas?
Atividade prática
Pense em uma atividade ou projeto que você já realizou ou presenciou em uma escola. Descreva-o em poucas linhas e identifique quais competências gerais e quais temas contemporâneos transversais ele mobilizou. Depois, sugira uma mudança que faria o projeto mobilizar mais uma competência.
Módulo 3 de 6
A BNCC na Educação Infantil
Na Educação Infantil, a BNCC não é organizada em disciplinas, e sim em direitos e experiências. Neste módulo você vai conhecer essa estrutura e aprender a ler os códigos dos objetivos de aprendizagem.
Eixos: interações e brincadeira
Seguindo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, a BNCC mantém as interações e a brincadeira como eixos estruturantes das práticas pedagógicas dessa etapa. É por meio delas que as crianças aprendem e se desenvolvem.
Seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento
Toda criança da Educação Infantil tem direito a conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Esses direitos devem estar presentes em todas as experiências da rotina, do acolhimento na chegada ao momento da saída.
Cinco campos de experiências
Em vez de componentes curriculares, a Educação Infantil se organiza em campos de experiências, que reúnem situações e experiências do cotidiano das crianças e os saberes e conhecimentos ligados a elas:
O eu, o outro e o nós: identidade, convivência, respeito às diferenças.
Corpo, gestos e movimentos: exploração do corpo, movimento, expressão corporal.
Traços, sons, cores e formas: artes visuais, música, dança, teatro.
Escuta, fala, pensamento e imaginação: linguagem oral, contato com a cultura escrita, histórias.
Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações: noções de espaço, tempo, números, fenômenos da natureza e da sociedade.
Três grupos por faixa etária
Os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento são organizados em três grupos:
Grupo
Faixa etária
Código
Bebês
Zero a 1 ano e 6 meses
EI01
Crianças bem pequenas
1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses
EI02
Crianças pequenas
4 anos a 5 anos e 11 meses
EI03
A BNCC ressalta que esses grupos não devem ser considerados de forma rígida, porque há diferenças de ritmo entre as crianças.
Como ler o código
Cada objetivo tem um código alfanumérico. Veja o exemplo EI03EO01:
Parte
Significado
EI
Educação Infantil
03
Grupo por faixa etária (crianças pequenas)
EO
Campo de experiências "O eu, o outro e o nós"
01
Posição do objetivo na numeração daquele grupo e campo
As siglas dos campos são: EO (O eu, o outro e o nós), CG (Corpo, gestos e movimentos), TS (Traços, sons, cores e formas), EF (Escuta, fala, pensamento e imaginação) e ET (Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações). O objetivo EI03EO01, por exemplo, trata de demonstrar empatia pelos outros, percebendo que as pessoas têm diferentes sentimentos, necessidades e maneiras de pensar e agir.
Na prática
Um bom planejamento na Educação Infantil parte das experiências que se quer oferecer às crianças, e não de uma lista de objetivos para "cumprir". Uma mesma experiência, como explorar o pátio depois da chuva, pode envolver vários campos: movimento (pular poças), linguagem (contar o que viram), ciências (a água que some da terra), arte (desenhar as nuvens) e convivência.
Lembre também que, segundo a LDB, a avaliação na Educação Infantil é feita por acompanhamento e registro do desenvolvimento, sem objetivo de promoção.
A transição para o Ensino Fundamental
A BNCC dá atenção especial à passagem da Educação Infantil para o Ensino Fundamental. Ela propõe que essa transição garanta continuidade: o 1º ano deve considerar o que as crianças já viveram e aprenderam, mantendo espaço para o brincar e para a ludicidade, e as escolas devem trocar informações e registros sobre as crianças, como relatórios e portfólios.
Para refletir
Por que a Educação Infantil é organizada em campos de experiências, e não em disciplinas como Português e Matemática? O que se perderia se ela fosse organizada como o Ensino Fundamental?
Atividade prática
Consulte a BNCC da Educação Infantil (no site oficial da BNCC) e escolha três objetivos de aprendizagem de campos diferentes para o grupo de crianças pequenas (EI03). Para cada um, anote o código, o texto do objetivo e uma experiência que poderia ser proposta para trabalhá-lo.
Módulo 4 de 6
A BNCC no Ensino Fundamental e no Ensino Médio
Neste módulo você vai conhecer como o Ensino Fundamental está organizado na BNCC, aprender a ler o código das habilidades e ter uma visão geral do Ensino Médio.
Áreas e componentes curriculares
No Ensino Fundamental, a BNCC está organizada em cinco áreas do conhecimento, que reúnem os componentes curriculares:
Área
Componentes
Linguagens
Língua Portuguesa, Arte, Educação Física e, nos anos finais, Língua Inglesa.
Matemática
Matemática.
Ciências da Natureza
Ciências.
Ciências Humanas
Geografia e História.
Ensino Religioso
Ensino Religioso.
Cada área tem competências específicas, e cada componente também tem as suas. Todas se ligam às dez competências gerais.
Unidades temáticas, objetos de conhecimento e habilidades
Dentro de cada componente, a BNCC organiza o que deve ser aprendido em três níveis:
Unidades temáticas: grandes blocos de conteúdo. Em Matemática, por exemplo: Números, Álgebra, Geometria, Grandezas e medidas, Probabilidade e estatística.
Objetos de conhecimento: os conteúdos, conceitos e processos dentro de cada unidade.
Habilidades: as aprendizagens essenciais que devem ser asseguradas, ou seja, o que o estudante deve ser capaz de fazer com aquele objeto de conhecimento.
Em Língua Portuguesa, a organização se faz por práticas de linguagem (leitura, produção de textos, oralidade e análise linguística/semiótica) e campos de atuação (como o campo da vida cotidiana, o artístico-literário e o da vida pública).
Como ler o código de uma habilidade
Veja o exemplo EF01MA01:
Parte
Significado
EF
Ensino Fundamental
01
Ano a que se refere: 1º ano
MA
Componente curricular: Matemática
01
Posição da habilidade na numeração daquele ano
Quando os números do segundo par indicam um bloco de anos, a habilidade pode ser trabalhada em qualquer um deles: EF15LP vale do 1º ao 5º ano, EF12LP para o 1º e o 2º anos, EF67LP para o 6º e o 7º, EF69LP do 6º ao 9º.
As siglas dos componentes são: LP (Língua Portuguesa), AR (Arte), EF (Educação Física), LI (Língua Inglesa), MA (Matemática), CI (Ciências), GE (Geografia), HI (História) e ER (Ensino Religioso).
A numeração das habilidades não indica ordem obrigatória de ensino nem hierarquia. Cabe ao currículo da rede e ao professor organizar a sequência.
Anos iniciais e anos finais
Anos iniciais (1º ao 5º): a BNCC determina que, nos dois primeiros anos, a ação pedagógica tenha como foco a alfabetização. O trabalho valoriza as situações lúdicas e a articulação com as experiências da Educação Infantil.
Anos finais (6º ao 9º): os estudantes lidam com mais professores e componentes, e com conhecimentos cada vez mais abstratos. A BNCC destaca a importância de apoiar a transição do 5º para o 6º ano e de fortalecer a autonomia dos estudantes.
Uma visão geral do Ensino Médio
No Ensino Médio, a BNCC está organizada em quatro áreas: Linguagens e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Os códigos seguem uma lógica parecida, como EM13LGG101 (Ensino Médio, habilidade que pode ser trabalhada em qualquer das três séries, área de Linguagens).
O Ensino Médio passou por reformas nos últimos anos. Pela Lei nº 14.945/2024, a formação geral básica, baseada na BNCC, tem 2.400 horas nos três anos, e o restante da carga horária é dedicado aos itinerários formativos, que aprofundam áreas do conhecimento ou oferecem formação técnica e profissional.
Para refletir
A BNCC afirma que a numeração das habilidades não indica uma ordem de ensino. Por que é importante que o professor tenha liberdade para organizar a sequência das aprendizagens?
Atividade prática
Escolha um ano do Ensino Fundamental e um componente curricular. No site oficial da BNCC, localize uma unidade temática, um objeto de conhecimento e duas habilidades ligadas a ele. Copie os códigos e decodifique cada parte deles.
Módulo 5 de 6
Planejar a partir da BNCC
Este é o módulo mais prático do curso. Você vai aprender a analisar uma habilidade, transformá-la em objetivos de aprendizagem e construir uma sequência de aulas e uma avaliação coerentes com ela.
Analisar a habilidade
As habilidades da BNCC costumam ter uma estrutura em três partes:
Verbo(s): indicam o processo cognitivo que se espera do estudante: identificar, comparar, analisar, produzir, resolver, argumentar.
Complemento: indica o objeto de conhecimento, aquilo sobre o que o estudante vai agir.
Modificadores: indicam o contexto ou a forma como a aprendizagem deve acontecer, detalhando o que se espera.
Veja a análise da habilidade EF01MA01: "Utilizar números naturais como indicador de quantidade ou de ordem em diferentes situações cotidianas e reconhecer situações em que os números não indicam contagem nem ordem, mas sim código de identificação."
Parte
Na habilidade
Verbos
Utilizar; reconhecer.
Complemento
Números naturais como indicador de quantidade ou de ordem; situações em que os números são código.
Modificadores
Em diferentes situações cotidianas.
Essa leitura atenta mostra que não basta a criança "saber contar": ela precisa usar os números em situações do dia a dia e perceber, por exemplo, que o número do telefone ou da camiseta do jogador não indica quantidade.
Da habilidade aos objetivos
Uma habilidade costuma ser ampla demais para uma única aula. Por isso, ela é dividida em objetivos de aprendizagem menores, que podem ser observados. Para a habilidade acima:
Contar coleções de objetos da sala e registrar a quantidade.
Usar números para indicar posição em uma fila ou corrida (1º, 2º, 3º).
Identificar números em situações do cotidiano (calendário, placas de carro, telefone, camisetas) e classificar se indicam quantidade, ordem ou código.
Uma sequência didática
Com os objetivos definidos, planeja-se uma sequência de aulas que vá do mais simples ao mais complexo e que coloque os estudantes em atividade. Um roteiro possível:
Etapa
O que acontece
1. Sondagem
Descobrir o que as crianças já sabem: onde elas veem números? Para que servem?
2. Problematização
Propor uma situação que desafie: "Quantas crianças vieram hoje? Quem chegou primeiro?"
3. Atividades
Contagem de coleções, jogos de percurso, corrida com colocações, "caça aos números" na escola com fotos.
4. Sistematização
Construir com a turma um cartaz com três colunas: número que conta, número que ordena, número que identifica.
5. Avaliação
Observar e registrar como cada criança usa os números nas atividades e na classificação das fotos.
Um modelo de plano
Um plano de aula ou de sequência alinhado à BNCC pode trazer os seguintes campos:
Turma, componente e duração.
Habilidade(s) da BNCC e do currículo da rede, com o código e o texto.
Competências gerais mais mobilizadas.
Objetivos de aprendizagem da aula.
Recursos e materiais.
Desenvolvimento: o que o professor e os estudantes fazem em cada momento.
Adaptações para estudantes que precisam de apoio ou de mais desafio.
Avaliação: o que será observado e como será registrado.
Avaliação coerente
Se a habilidade pede para o estudante utilizar ou argumentar, a avaliação não pode pedir apenas para repetir uma definição. A avaliação precisa ser coerente com o verbo e com o contexto da habilidade. Além disso, a BNCC valoriza a avaliação formativa, feita ao longo do processo, que serve para o professor ajustar o ensino e para o estudante perceber o que já aprendeu e o que precisa melhorar.
Metodologias que colocam o estudante em ação
Para desenvolver competências, os estudantes precisam fazer: investigar, resolver problemas, discutir, produzir. Algumas estratégias que combinam com essa proposta:
Resolução de problemas reais ou próximos da realidade.
Projetos que integram componentes e produzem algo para a comunidade.
Sequências de investigação, com perguntas, hipóteses, experimentos e conclusões.
Trabalho em grupos com papéis definidos.
Rotação por estações, com atividades diferentes para o mesmo objetivo.
Para refletir
Muitos planos de aula trazem o código da habilidade no cabeçalho, mas as atividades não têm relação com ela. Como evitar que a BNCC vire apenas um "carimbo" no planejamento?
Atividade prática
Escolha uma habilidade do ano e do componente que você preferir. Faça a análise (verbos, complemento e modificadores), desdobre-a em três objetivos de aprendizagem e monte um plano de sequência didática de três aulas usando o modelo deste módulo, incluindo a forma de avaliação.
Módulo 6 de 6
A BNCC na escola: integração, tecnologia e avaliação
Para fechar o curso, vamos olhar a BNCC em um contexto mais amplo: como integrar componentes, o que é a BNCC Computação, como a BNCC se relaciona com as avaliações externas e quais erros evitar.
Integrar componentes
A BNCC organiza as aprendizagens por componentes, mas isso não significa que eles precisem ser trabalhados de forma isolada. Projetos e sequências integradas ajudam os estudantes a perceber como os conhecimentos se relacionam. Um exemplo para o 5º ano:
Projeto "A água do nosso bairro"
Ciências: ciclo da água, uso consciente, tratamento.
Geografia: de onde vem a água que chega às casas, rios da região.
Matemática: leitura de contas de água, cálculo do consumo, gráficos.
Língua Portuguesa: leitura de reportagens, produção de uma campanha de conscientização.
Arte: criação dos cartazes da campanha.
Para integrar, os professores precisam planejar juntos, identificando as habilidades de cada componente que conversam com o tema.
BNCC Computação
Em 2022, o Conselho Nacional de Educação aprovou normas sobre Computação na Educação Básica, como complemento à BNCC (Resolução CNE/CEB nº 1/2022). As redes deveriam adequar seus currículos ao longo de 2025, e a implementação passou a ser obrigatória a partir de 2026. A Computação se organiza em três eixos:
Eixo
O que envolve
Exemplo nos anos iniciais
Pensamento computacional
Resolver problemas de forma organizada: decompor, reconhecer padrões, abstrair, criar algoritmos.
Escrever o passo a passo para escovar os dentes; brincadeira do "robô" que segue comandos no chão quadriculado.
Mundo digital
Entender como funcionam computadores, internet e dados.
Descobrir como uma mensagem sai do celular e chega a outra pessoa.
Cultura digital
Usar a tecnologia de forma crítica, ética e responsável.
Conversar sobre o que pode e o que não pode ser compartilhado na internet.
Muitas atividades de pensamento computacional podem ser feitas sem computador (atividades "desplugadas"), o que é importante para escolas com poucos equipamentos e para as crianças menores. Diretrizes mais recentes sobre educação digital e midiática também reforçam o uso intencional e supervisionado da tecnologia, e a Lei nº 15.100/2025 restringe o uso de celulares pessoais durante as aulas, salvo para fins pedagógicos, de acessibilidade ou em situações de necessidade.
BNCC e avaliações externas
As avaliações em larga escala, como o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), vêm sendo alinhadas à BNCC. Seus resultados ajudam a acompanhar a aprendizagem nas redes e a orientar políticas públicas. O cuidado é não reduzir o currículo ao que "cai na prova": as avaliações externas medem apenas uma parte das aprendizagens, e a BNCC vai muito além de Língua Portuguesa e Matemática.
Erros comuns
Erro
Como fazer melhor
Copiar códigos da BNCC no plano sem relação com as atividades.
Analisar a habilidade e planejar atividades e avaliações coerentes com ela.
Achar que a BNCC é o currículo e ignorar o documento da rede.
Planejar a partir do currículo local, que já incorpora a BNCC e a realidade regional.
Tentar "dar conta" de todas as habilidades em aulas expositivas.
Priorizar, integrar e usar metodologias que coloquem os estudantes em ação.
Tratar as competências gerais como "tema de uma aula".
Desenvolvê-las no modo de organizar todas as aulas e a convivência na escola.
Deixar os estudantes com deficiência fora do planejamento.
Garantir o acesso às mesmas aprendizagens, com as adaptações necessárias.
Um roteiro para o professor
Conheça as dez competências gerais e as competências específicas do seu componente.
Estude o currículo da sua rede e o PPP da sua escola.
Faça uma sondagem para saber o que seus estudantes já sabem.
Selecione e analise as habilidades para o período.
Planeje sequências com objetivos claros, atividades ativas e avaliação coerente.
Registre o percurso dos estudantes e ajuste o planejamento.
Converse com os colegas: planejar junto é a melhor formação.
Para refletir
Depois de estudar este curso, o que você diria a um colega que afirma que "a BNCC só serve para encher o plano de códigos"?
Atividade prática
Planeje uma atividade "desplugada" de pensamento computacional para uma turma de anos iniciais: por exemplo, criar um algoritmo (sequência de instruções) para uma tarefa do dia a dia ou para guiar um colega por um caminho. Indique o eixo da Computação, o ano, o objetivo e como você vai avaliar.
Para saber mais
Base Nacional Comum Curricular, disponível no site oficial basenacionalcomum.mec.gov.br.
Temas Contemporâneos Transversais na BNCC: contexto histórico e pressupostos pedagógicos (MEC, 2019).
Normas sobre Computação na Educação Básica: complemento à BNCC (Parecer CNE/CEB nº 2/2022 e Resolução CNE/CEB nº 1/2022).
Currículo oficial da sua rede de ensino (estadual ou municipal).
Avaliação final
Avaliação final
São 15 questões sobre os 6 módulos. Para ser aprovado(a) e poder emitir o certificado, você precisa acertar pelo menos 11. Você pode refazer a prova quantas vezes quiser.